Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

Jockey Club do Rio terá 1º páreo só de mulheres

Pela primeira vez em seus 85 anos, Hipódromo da Gávea terá corrida disputada apenas por joquetas; as oito participantes comemoram a iniciativa e dizem que ainda enfrentam preconceito na profissão

Bruno Lousada / RIO, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2011 | 00h00

O Jockey Club Brasileiro terá um momento histórico no domingo: o Hipódromo da Gávea, inaugurado no Rio em julho de 1926, receberá pela primeira vez um páreo só de joquetas do Brasil. Oito mulheres vão disputar a corrida, que distribuirá cerca de R$ 20 mil em prêmios.

Todos os páreos terão nomes próprios femininos e o hipódromo estará decorado de rosa, para mostrar que turfe não é esporte apenas de homem. As mulheres vêm conquistando espaço, embora ainda haja preconceito.

"A presença feminina no cotidiano do turfe é recente, começou na década de 1980. Por isso, ainda há resistência. Muitas portas já se fecharam para mim. Esse páreo histórico deveria ser realizado frequentemente", afirmou Maylan Studart, a principal joqueta do País.

Aos 22 anos, ela tem uma carreira promissora. Apesar de só ter dois anos na categoria profissional, venceu mais de 80 corridas no Brasil e no exterior. Além disso, recebeu das Organizações das Nações Unidas (ONU), em 2009, a comenda Joia JK, ao lado do cavaleiro Rodrigo Pessoa, seu ídolo.

O prêmio é concedido aos brasileiros que se destacam no exterior por seu empreendedorismo. "Foi um grande reconhecimento. Não acreditei que estava no mesmo patamar do Rodrigo Pessoa", disse a Garota de Ipanema, como é conhecida no meio do turfe por ter nascido no bairro da zona sul carioca.

Radicada nos Estados Unidos, Maylan monta desde os 4 anos. Depois de fazer curso de equitação nos EUA, ela passou pela Escola de Aprendizes do Jockey Club e seguiu, em 2008, para Nova York.

Em junho de 2009, fraturou o fêmur em um treinamento e parou por dois meses. O retorno não poderia ter sido melhor. Em novembro, ganhou seu segundo Grande Prêmio, o John Henry Stakes.

Do Rio. Outra participante do páreo de domingo, Marcelle Martins é a única joqueta que treina diariamente no Hipódromo da Gávea. "Eu só monto com homens aqui. Vai ser diferente correr com outras mulheres. Estou ansiosa e muito feliz", comemora.

Desde pequena, ela frequenta o Jockey Club. Na época, seu pai era jóquei e levava a filha para galopar. O lazer virou profissão. Rosto delicado e pouco à vontade em entrevistas, deixa a timidez de lado ao montar um puro-sangue. "Pensei em cursar Desenho Industrial, mas desisti. Quem sabe mais para frente. Agora, só quero montar e competir." Em meio a tantos homens, Nair Maria H. Da Silva é uma das quatro treinadoras que batem ponto no Jockey Club do Rio. Em sua época de jóquei, ela disse ter encontrado muita resistência para começar a profissão na capital fluminense. "Havia muito machismo."

Por isso, mudou para a Argentina, país em que conquistou seu espaço. "Vejo esse páreo feminino como incentivo que deveria ter acontecido há muito tempo", destacou, convicta de que o evento de domingo no Jockey é mais uma vitória das mulheres.

PÁREO FEMININO

Confira o nome das joquetas - abreviados, conforme a tradição do turfe - e de seus respectivos cavalos que competirão no sexto páreo de domingo, às 16h25

Ad. Alves

Ground Speed

J. Gulart

Flaminghi

M. Beatriz

New Limit

Marcelle Martins

Oniclud

Jaq. Cabral

Olympic Leader

H. Cordova

Dedavi

B. Melo

Quadoulaki

Maylan Studart

Iceman

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