Jobim diz que problema na Defesa é de comando

Novo ministro atribui a sua mulher decisão de assumir a pasta em meio à crise aérea

Renata Veríssimo e Isabel Sobral ,

25 de julho de 2007 | 18h50

Na primeira entrevista coletiva como novo ministro da Defesa, Nelson Jobim afirmou, nesta quarta-feira, 25, que os problemas que o País vive com a crise aérea são de "comando", prometeu devolver a situação de tranqüilidade ao sistema aéreo brasileiro e que só aceitou o cargo porque sua mulher achou que deveria aceitar. Ele também admitiu que as eventuais mudanças no comando das estatais que gerenciam a crise aérea no País devem acontecer até o fim desta semana.O novo ministro da Defesa afirmou que promoverá uma reestruturação no Ministério da Defesa e fará o enfrentamento da crise aérea. O ministro disse que tem carta branca do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para promover trocas no segundo escalão do ministério, inclusive na Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), caso seja necessário. Mas afirmou que fará "um levantamento da situação" na quinta-feira, quando receberá o cargo de Waldir Pires, e tomará a decisão até o fim de semana."Precisamos tomar as providências necessárias, o que se passa é que temos vários órgãos, e estamos, como disse Lula, com problema de comando. Essas questões todas (troca de comando em órgãos públicos do setor aéreo) serão postas em estudo. Não adianta falar, vamos reformular a estrutura do Ministério de Defesa, para trabalhar integrado na resolução da crise", disse o ministro.Questionado sobre as razões que o teriam feito aceitar o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a pasta, o novo ministro explicou que recebeu a autorização de sua mulher. "Face às circunstâncias, considerando licenças e autorizações maritais, acabei aceitando", disse.De fora do setorUma das principais críticas de políticos da oposição é o fato de o comando da Agência Nacional da Aviação Civil estar nas mãos de um personagem político, não técnico. O ministro, que já foi ministro da Justiça e presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), também não é especialista no assunto. "Uma coisa é execução, outra é comando. Quem tem condições é quem dispõe de comando técnico. Agora, execução não precisa de técnica. Como o ministro da Saúde, que não tinha nada de Saúde", diz Jobim.Jobim disse que as suas ações serão divididas em duas partes. Primeiro, visando o que já ocorreu, e segundo, analisando o que precisa ser feito para reestruturação do Ministério da Defesa. Segundo ele, há a avaliação do governo de que existem "disparidades de ações" entre os órgãos do setor aéreo. "Estamos com problema de comando e agora vai ter (comando)", disse.Ele informou também que irá a São Paulo na sexta-feira pela manhã, quando visitará o Aeroporto de Congonhas e terá encontros com o governador do Estado, José Serra (PSDB), e com o prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab (DEM). Jobim disse ainda que telefonou para Serra agendando o encontro. Segundo Jobim, uma definição para a cidade de São Paulo passa por esses encontros. Sem interferência política Jobim negou que o PMDB tenha tido influência no processo de sua escolha para o cargo de ministro da Defesa. Durante a coletiva no Palácio do Planalto, o novo ministro disse que o dia desta quarta-feira foi para ouvir. Ele contou que teve um encontro com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e que, depois, participou de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e um grupo de aeronautas para fazer um diagnóstico da situação no setor aéreo. Segundo Jobim, essa situação será analisada para, depois, se definirem condutas. O novo ministro não quis dar prazo para conclusão dessa análise e para o anúncio de eventuais medidas. Ao negar que a sua escolha tenha tido interferência do PMDB, seu partido, afirmou: "Não teve nenhum contato partidário." O ministro disse ainda que o seu desafio no cargo será tentar encontrar fórmulas que façam com que o atual modelo (no setor aeronáutico) desapareça e que se recupere a normalidade aeroportuária. "E isso demanda trabalho. E não demanda achismos", disse Jobim.

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