Jet ski se movimentou por 1 minuto

Conclusão é de análise feita em equipamento que causou morte da menina Grazielly após choque; perícia vai investigar falha técnica

ZULEIDE DE BARROS , ESPECIAL PARA O ESTADO , SANTOS, O Estado de S.Paulo

08 Março 2012 | 03h04

Análises preliminares das condições técnicas do jet ski que atropelou Grazielly Almeida Lames, de 3 anos, indicam que o equipamento teria se movimentado cerca de 60 segundos antes de atingir e matar a menina, no sábado de carnaval, na Praia de Guaratuba, em Bertioga. De acordo com o perito João Alves Neto, informações mais detalhadas serão obtidas junto ao fabricante, a fim de definir se houve ou não falha no equipamento.

Segundo seu advogado, o garoto apenas acionou o veículo antes de ele seguir em direção a Grazielly, que brincava na faixa de areia. Já testemunhas relataram que o garoto e um outro adolescente de 14 anos montaram no veículo e caíram. A moto atingiu a criança em seguida.

Para o advogado da família de Gracielly, José Beraldo, o tempo em que o jet ski ficou acionado seria suficiente para percorrer os 400 metros entre o condomínio fechado onde estava a família do adolescente e o local do acidente. Dessa forma, funcionaria como mais uma prova de acusação. Procurados ontem no litoral paulista, os advogados da família do jovem acusado não foram localizados para comentar o resultado preliminar.

A conclusão da perícia e o depoimento de mais cinco pessoas, incluindo quatro testemunhas, que se encontravam na praia no momento do acidente, e de um garoto de 13 anos, que estava com o adolescente que teria atropelado a criança, são considerados fundamentais para a finalização do inquérito que, desde terça-feira passou a ser presidido pela Delegacia Seccional de Santos.

Na segunda, o delegado de Bertioga, Maurício Barbosa, havia informado que o relatório estava em fase de conclusão e só o adolescente seria apontado como responsável pelo acidente. Mas nenhum adulto seria indiciado.

Durante entrevista coletiva concedida na noite de terça-feira, o delegado seccional Rony da Silva Oliveira afirmou que o trabalho foi bem conduzido pela Delegacia de Bertioga, mas que o delegado Barbosa estava sendo muito pressionado, razão pela qual a seccional resolveu avocar para si o inquérito, que deve ser concluído dentro de pouco tempo.

Ao tomar conhecimento da afirmação do delegado de Bertioga, na segunda-feira, a família da criança ficou revoltada. Ontem, ao saber do encaminhamento do inquérito à Seccional de Santos, os pais de Grazielly ficaram aliviados. Por intermédio de seus advogados, eles afirmaram que só querem justiça, para que o caso seja analisado com seriedade, de forma que outras crianças não venham a enfrentar acidentes semelhantes.

O seccional de Santos afirmou que os detalhes do laudo, como possíveis falhas encontradas na moto aquática, podem ser determinantes para que haja indiciados no caso. A moto pertence aos padrinhos do garoto de 13 anos.

Clamor. O acidente que provocou a morte da menina Grazielly provocou comoção popular e chamou a atenção das autoridades para o uso abusivo dos jet skis, não só nas praias, mas nas represas das regiões interioranas. Na capital, a Prefeitura também planeja mudar a regulamentação das motos aquáticas.

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