Jesuítas celebram 200 anos de restauração

Papa pertencente à ordem e canonização de Anchieta, na 4ª, dão impulso à comemoração

José Maria Mayrink, O Estado de S.Paulo

30 Março 2014 | 02h03

A eleição do papa Francisco, o jesuíta argentino Jorge Mario Bergoglio, deu novo impulso às comemorações dos 200 anos da restauração da Companhia de Jesus. E a canonização do jesuíta padre José de Anchieta, na próxima quarta-feira, dará ainda mais visibilidade à ordem.

A restauração foi decretada em 7 de agosto de 1814 por Pio VII, após 41 de supressão por Clemente XIV, sob pressão dos reis de Portugal, Espanha e França. A data está sendo celebrada em todo o mundo, mas o Brasil dá especial ênfase ao bicentenário, pois foi o Marquês de Pombal, ministro de Portugal, quem primeiro extinguiu a ordem fundada por Santo Inácio de Loyola e expulsou os padres de seu território.

"Temos a expectativa de que, mais do que o bicentenário, a figura de Francisco traga novas vocações para a Companhia de Jesus", disse o padre Carlos Contieri, coordenador das comemorações e diretor do Pátio do Colégio, em São Paulo.

Os jesuítas, que eram 23 mil antes da extinção e chegaram a 36 mil em 1965, são agora 18 mil. No Brasil, são 576. Ainda são a ordem masculina mais numerosa, embora tenha diminuído, como todas as outras, após o Concílio Vaticano II (1962-1965). Neste ano, só dez candidatos entraram no noviciado em Feira de Santana, na Bahia, primeira etapa de formação.

O Brasil também vai comemorar a canonização de José de Anchieta, fundador, ao lado do padre Manoel da Nóbrega, da cidade de São Paulo, em 1554. Ele atuou como missionário de 1553 a 1597. Além de São Paulo, passou por Rio, Salvador, Recife e Vitória, para onde seu corpo foi levado, após a morte em Reritiba, interior do Espírito Santo, localidade por ele fundada que tem hoje o seu nome.

Expulsão. A Companhia de Jesus foi expulsa do Brasil em 1759, quase 15 anos antes de sua supressão em âmbito mundial pelo papa. As divergências com a Coroa de Portugal se agravaram com a ascensão de José Carvalho de Melo, Conde de Oeiras e futuro Marquês de Pombal, por causa da oposição dos jesuítas à escravização dos índios. Os padres entraram em choque com os colonos, que exploravam os indígenas. Com a chegada do governador Francisco Xavier de Mendonça, irmão de Pombal, ao Maranhão e ao Pará, as hostilidades se exacerbaram.

O engajamento social dos jesuítas, que não se fechavam nos conventos, mas saíam ao encontro do povo, explica a perseguição. "Um dos motivos do Marquês de Pombal para expulsar os missionários foi o fato de a Companhia de Jesus ensinar as pessoas a pensar", disse o padre Contieri.

O Marquês de Pombal se aliou às cortes da Espanha e da França para exigir do papa a extinção da Companhia de Jesus. Clemente XIV assinou o breve (documento) de supressão em 21 de julho de 1773.

Exposições. Um painel com a linha do tempo da Companhia de Jesus na exposição Jesuítas nas Fronteiras, na cripta da igreja do Pátio do Colégio, mostra uma história de quase 500 anos, do nascimento de Inácio de Loyola, em 1491, à eleição de Francisco em 2013. "O papa Francisco encara o espírito da Companhia", afirma padre Contieri.

Outra exposição, a Jesuítas: Paixão e Glória, está percorrendo o Brasil como parte das comemorações. Em julho e agosto, estará no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. "Temos 39 painéis e nove salas nessa exposição itinerante, além de uma reprodução em tecido de uma tela do jesuíta italiano Andrea Pozo, que pintou a nave da Igreja de Santo Inácio, em Roma", diz padre Geraldo Lacerdine, porta-voz da Província Brasil Centro-Leste, em São Paulo.

As comemorações incluem ainda um simpósio com a participação de brasileiros e estrangeiros, de 8 a 10 de maio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.