Jatinho cai na zona norte de São Paulo e deixa oito mortos

A aeronave Learjet 35 caiu após decolar do Campo de Marte, com direção ao Rio; três casas foram atingidas

Alexandre Barbosa, Fabiana Marchezi, Camila Tuchlinski, Tomas Okuda e Etienne Jacintho ,

04 de novembro de 2007 | 14h33

Quase quatro meses após o acidente com o Airbus A320 da TAM deixar 199 mortos em São Paulo, no dia 17 de julho, a cidade voltou a viver momentos trágicos devido a um novo acidente aéreo neste domingo, 4. Por volta das 14h10, um avião executivo Learjet 35 caiu depois de decolar do Campo de Marte, deixando oito mortos na zona norte de São Paulo.  Entre as vítimas estão seis pessoas da mesma família, que estavam na casa atingida pela aeronave, o piloto e o co-piloto do jato - que não transportava passageiros.   Veja também: Vítimas em terra eram todas da mesma família Vídeo do local do acidente  Vídeo das casas atingidas pelo jato  Vídeo do resgate no local do acidente  Veja como foi o acidente com o Learjet 35  Galeria de fotos  Piloto foi avisado que estava na direção errada Jato estava com manutenção em dia, diz Anac Após acidente, Jobim quer mais fiscalização  Em uma semana, 4 acidentes aéreos em SP Jornalista testemunha queda de avião  Morador flagra queda de jato e filma resgate   O avião havia acabado de decolar, com direção ao Rio de Janeiro, quando se inclinou totalmente para a direita e caiu de bico, atingindo quatro casas da região, na Rua Bernardino de Sena. Rodeado por casas e avenidas, o Campo de Marte é usado para pousos e decolagens de aviões de pequeno porte e foi uma das opções para desafogar o tráfego aéreo de táxis executivos do Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulista, após o acidente de julho.   No começo da noite deste domingo, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar continuavam as buscas às vítimas. Além das oito vítimas, duas pessoas conseguiram sair da casa sem ferimentos e outras duas ficaram feridas e foram encaminhadas ao Hospital do Mandaqui: uma mulher, que apresentava estado de saúde estável e uma criança de 11 anos, que teve ferimentos leves.   As vítimas da mesma família estavam dentro de casa, na altura do número 118 da Rua Bernardino de Sena, na Casa Verde. A residência, na qual moravam doze pessoas, ficou completamente destruída. Fernando Simões, de 21 anos, um dos moradores da casa, tinha saído para ir ao supermercado e quando voltou viu a casa destruída pela queda do avião.   Duas pessoas que estavam na casa conseguiram escapar com vida e sem ferimentos. "Ouvi um barulho muito próximo do avião e depois um grande barulho de batida", relatou Cristina Simões da Silva, de 19 anos. Ela correu para o banheiro onde a irmã, Adriana, de 15, estava tomando banho e a enrolou na toalha. "Com socos e pontapés, consegui abrir a porta e saímos pelos fundos." Enquanto as meninas tentavam escapar, a mãe e os dois irmãos chegavam do supermercado, desesperados. Outras três casas - entre elas uma edícula - foram parcialmente danificadas.    Testemunhas   O mestre-de-obras John Wellington de Albuquerque Sousa testemunhou a queda do avião nesta tarde. Sousa trabalhava no telhado de uma casa na Rua Maestro Antão, próxima do local atingido, quando viu o avião decolar do aeroporto Campo de Marte. Segundo ele, 30 a 40 segundos depois da decolagem o jato desviou de um edifício, inclinando para a direita, e não ouviu mais o barulho do motor, que teria parado de funcionar. Segundo informações da Aeronáutica, o avião decolou do Campo de Marte "com chuva leve" e, depois da autorização para a decolagem, o piloto não teve mais contato com a torre de controle do aeroporto.   Segundo um vizinho,a aeronave não explodiu no momento da queda, mas após o choque com o imóvel, foram ouvidas três explosões. O jatinho tinha o prefixo PTOVC e pertencia à empresa Reali Taxi Aéreo, especializada no transporte de pacientes inter-hospitalares e órgãos para transplantes. Esse modelo de avião tem capacidade para até oito passageiros, além do piloto e co-piloto.   Quatro casas foram interditadas na rua do acidente. Os 14 desabrigados foram levados na noite deste domingo para o Hotel Íbis, próximo à Ponte da Casa Verde. A Defesa Civil impediu a entrada da imprensa no hotel, alegando que os moradores desabrigados não queriam dar mais declarações. Eles recebiam apoio psicológico, pago pela Reali Táxi Aéreo, assim como a hospedagem no hotel.   A caixa-preta da aeronave foi encontrada pelas equipes de resgate. As investigações da Aeronáutica começaram ainda na tarde deste domingo e vão ser comandadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). O prazo para a conclusão das investigações é de 90 dias, prorrogáveis, para a conclusão dos trabalhos.   Texto alterado às 23h15 para acréscimo de informações.

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