José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Jardins fazem abaixo-assinado contra 'nova' Brigadeiro

Prefeitura alega que mudança oferece proteção ao pedestre; idoso de bengala precisa passar por faixa de travessia em 15 segundos

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

27 Fevereiro 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Um grupo de moradores dos Jardins, na zonal sul de São Paulo, apresentou um abaixo-assinado na Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) contra a mudança na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, que passou a receber mais veículos sob a justificativa da gestão Fernando Haddad (PT) de que a alteração oferece maior proteção aos pedestres.

Segundo comerciantes e motoristas, o tempo de viagem aumentou em até em uma hora. Para fugir da avenida que está parada e com conversões à esquerda proibida no sentido centro, os motoristas pegam vias como as alamedas Campinas e Joaquim Eugênio de Lima, ambas saturadas de veículos. Os motoristas também são obrigados, agora, a cruzar a Avenida Paulista, fazer retornos e só então a Alameda Santos, por exemplo. A faixa para carros que desce a Brigadeiro Luís Antônio, antes inexistente, ainda é pouco usada.

A CET voltou a dizer que a alteração foi feita “visando a redução do índice de acidentes e melhora do trânsito na região”. O órgão explica que entre 2013 e 2015, foram registrados 116 atropelamentos na região. Na última quarta-feira, 24, o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, defendeu a medida durante um coletiva de imprensa no Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura. Para ele, os pedestres, antes da mudança, não prestavam atenção na hora da travessia porque “achavam que só passava ônibus” no sentido Jardins. Para ele, com mais veículos no eixo, quem atravessa a avenida “vai prestar mais atenção”.

 

Um por quatro. Por um período de dez minutos, a reportagem contou 31 carros, quatro ônibus e três motos utilizando a via nova. No sentido contrário, passaram no mesmo período de tempo 89 automóveis, 11 coletivos e 42 motocicletas. Para cada veículo que pegava a avenida no sentido bairro, outros quatro subiam para o centro. Se os motoristas e moradores dos Jardins reclamam, pessoas que trabalham na Uber e nos táxis agradecem.

“Ficou mais fácil chegar nos Jardins para pegar passageiros. Acho que deve ser a única opinião que nós dividimos com os taxistas e eles com a gente”, afirmou Carlos Eduardo Gabriel, de 40 anos, motorista do aplicativo.

 

Hospital. Os pedestres, na maioria idosos, que saem do Hospital dos Transplantes, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, tem 15 segundos para atravessar na faixa em frente à unidade de saúde. A tarefa é impossível para o aposentado Claudino Alves de Moraes, de 83 anos, que precisa de bengala para se locomover. “Está perigoso. Tem muito carro passando agora e não é todo motorista que conhece essa faixa”, disse.

Ele faz tratamento de uma ferida na perna esquerda. “O motorista do ônibus parou muito longe da calçada e eu caí.” O processo de cicatrização é lento para o idoso, já que ele é diabético.

A CET disse que solicitou aos marronzinhos que fossem até o cruzamento “para verificar a possibilidade de ajuste do tempo da travessia”.

 

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