Jardim Romano vira rio e Defesa Civil culpa invasões

Moradores do bairro da zona leste convivem com água há uma semana; não há prazo para nível baixar

Valéria França, Eduardo Reina e Solange Spigliatti, estadao.com.br

14 de dezembro de 2009 | 09h22

 

SÃO PAULO - As ruas do Jardim Romano, na zona leste de São Paulo, não têm esgoto, galerias de água pluvial ou bueiros. E por isso viraram córregos com mais de 1 metro de profundidade. No lugar de carros, pequenas embarcações percorrem a região. E a rotina das cerca de 2 mil famílias que tiveram as casas invadidas pelas águas do Rio Tietê não vai voltar ao normal tão cedo.

 

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Segundo levantamento da Defesa Civil Estadual, divulgado nesta segunda-feira, 14, o nível da água baixou poucos centímetros na região do Jardim Romano. A inundação alcança uma distância de seis quarteirões do rio e alguns moradores continuam convivendo com a água.

"As águas podem baixar em oito dias, mas se as chuvas continuarem vai demorar mais", adianta o coronel Jair Paca Lima, da Defesa Civil, que na sexta-feira percorreu o Rio Tietê da altura da barragem da Penha até Mogi das Cruzes. "O Jardim virou uma esponja, que absorve toda a água do rio." Procurado, o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) não deu prazo para a água baixar. Conforme as chuvas, pode demorar semanas.

O bairro é uma antiga região de pântano e naturalmente tem um escoamento mais lento. "Somadas a isso, as saídas regulares de água foram fechadas por construções levantadas este ano em áreas invadidas", explica Lima. Barracos de madeira e até de alvenaria se transformaram em comportas que impedem o escoamento. "Estou me referindo às novas construções e não às dos moradores antigos do bairro", ressalta.

 

Em algumas regiões, onde o nível chegou à cintura, as pessoas foram retiradas e abrigadas em um colégio estadual. A rua em frente ao Centro Educacional Unificado (CEU) do bairro está alagada, e muitas crianças estão sem aula. O Córrego Três Pontes, que corta o bairro, está cheio de lixo e com o nível bem acima do normal.

 

 

As autoridades já chegaram a cobrar solução rápida. "Falou-se até da instalação de bombas. Mas isso é impossível. Não tem onde jogar a água. O jeito é esperar." O pior é a população, que permanece ali, para impedir que seu patrimônio seja roubado, mesmo colocando em risco a saúde pública. Há moradores que reclamam que já viram até cobra nas águas, tomadas pelo esgoto. "Os animais também estão procurando novos esconderijos", admitiu o coronel. "E só poderemos avaliar a situação das casas depois que as águas baixarem."

 

De acordo com o levantamento, foram realizadas 413 interdições pelas subprefeituras e 892 famílias foram atendidas pelos técnicos da assistência social, recebendo colchões, cobertores e alimentação após os alagamentos. Desse total, 267 pessoas aceitaram encaminhamento para alojamentos ou abrigos. As demais, 2.500 pessoas, preferiram ir para a casa de amigos ou parentes.

 

O alagamento, segundo a Defesa Civil, afetou também as estações elevatórias de esgoto da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) que atendem a região. Com isso, o sistema ainda não está funcionando, espalhando esgoto pelas ruas. Além disso, a enchente também prejudica os moradores - que estão sem telefone e com a água na altura da cintura em alguns locais.

 

Atualizado às 11h59 para acréscimo de informações.

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