Jardim América: da lama ao luxo

Veio da Inglaterra a concepção urbanística que deu origem ao tradicional bairro paulistano

LIZ BATISTA / DO ARQUIVO, O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2012 | 03h05

Uma metrópole que crescia moldada pelo processo de industrialização. Assim era a capital paulista no início do século 20. Sem uma política de desenvolvimento urbano clara por parte do poder público, a organização espacial de São Paulo acabou sendo ditada pela iniciativa privada.

Com concepção urbanística inovadora, a companhia City of São Paulo Improvements and Freehold Land Company Limited - a famosa Companhia City - foi uma das empresas que tiveram participação ativa no desenvolvimento da cidade.

Trazendo o conceito inglês de "bairro-jardim" ao mercado imobiliário paulistano, a empresa responsável pela criação de tradicionais áreas da cidade chegou a São Paulo em 1912.

Primeiro projeto da Companhia City, o bairro do Jardim América foi concebido pelos urbanistas ingleses Barry Parker e Raymond Unwin. Além de um investimento arriscado por parte da empresa, era visto como um um desafio arquitetônico.

Localizado em uma região tida como inadequada para habitação, o novo bairro surgiu após a drenagem de um milhão de m² de charcos e pântanos, na margem norte do Rio Pinheiros.

Foi a primeira área de loteamento planejado da capital. Com regras de zoneamento, direcionamento do trânsito e limite de ocupação do espaço, tornou-se um padrão de qualidade para os futuros loteamentos - todas as legislações urbanas adotadas na cidade tiveram nos regulamentos da Companhia City seu ponto de partida. Também virou modelo para os projetos dos Jardins Europa e Paulistano, do Pacaembu, do Alto de Pinheiros e da City Lapa.

Várzeas. Apesar da lenta expansão e valorização, que só ganhou impulso nos anos 1930, o projeto do Jardim América demonstrou ser possível ocupar as várzeas do Pinheiros mesmo antes da sua canalização, o que influenciou de forma decisiva o modelo de crescimento de São Paulo.

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