Janeiro em SP, mês da maratona da moda

Fashion Week fecha período com showrooms de estilistas e feiras como a Couromoda; enquanto desfiles ocorrem na Bienal, hotéis expõem coleções

Valéria França, O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2011 | 00h00

"Férias em janeiro não existem para o mundo da moda", comentava anteontem a pernambucana Lúcia Helena Arteiro, de 40 anos. Dona da Musa Maison, rede multimarcas do Recife, ela trocou as praias do Nordeste pelo ar-condicionado de lojas, feiras e showrooms de São Paulo, que nesta época fervem de clientes e expositores.

Antes da São Paulo Fashion Week, o roteiro de Lúcia Helena e outros profissionais da moda incluiu a Couromoda, segunda maior feira de calçados do mundo, com 1,2 mil expositores, no Anhembi. Neste ano, a feira recebeu cerca de 38 mil visitantes, que fizeram circular R$ 120 milhões, gastos em hotéis, táxis e restaurantes, entre outros.

No pavilhão anexo da Couromoda, havia outra parada obrigatória para os fashionistas: a São Paulo Prêt-à-Porter, voltada a compradores de varejo de todo o País e com expositores como Zoomp e Neon. A maratona de janeiro incluiu ainda a Première Brasil, evento da indústria têxtil que lança tendências para 2012.

Assim que essas feiras acabaram, muitos de seus visitantes ainda partiram para tours pelos showrooms das marcas. Na semana passada, o estilista Fause Haten, por exemplo, já estava com tudo pronto para receber os compradores. Em seu ateliê em Pinheiros, na zona oeste, as araras estava repletas de peças da coleção outono-inverno.

É a mesma que veremos na passarela depois de amanhã? "Não. Esta é uma coleção mais comercial, mais usável do que a que apresento na SPFW, mas com o mesmo conceito de moda", diz. Uma das apostas do estilista são os acessórios. "A bolsa virou a peça mais importante. Ela revela o poder de quem a carrega."

"As boas clientes são muito disputadas", diz Dudu Bertholini, estilista da Neon, que mostrou sua coleção ontem na Bienal, após exibir uma outra, mais comercial, na São Paulo Prêt-à-Porter e no showroom da marca. "São ações diferentes", explica. "Na SPFW, trabalhamos a imagem da marca. Ela é a mola propulsora da moda brasileira. E não uma feira de negócios."

Enquanto os desfiles ocorrem na Bienal, alguns hotéis da cidade, como o Unique e o Renaissance, concentram salões de showrooms. "Fui à Casa Moda, no Renaissance", diz Lúcia, da Musa Maison. Ali estão expostas as coleções de Gloria Coelho, Isabela Capeto e Iodice, entre outros. "Só assim dá para montar um mix variado e diferenciado de produtos para as lojas."

Até a indústria têxtil aproveita para reforçar a imagem entre atacadistas e confeccionistas. Foi o caso de TextPrima, que chamou um artista plástico, um fotógrafo e um paisagista para montar a exposição Outras Perspectivas, inspirada nas tendências de 2012, em sua fábrica, na Casa Verde, zona norte. A exposição fica aberta até fim de fevereiro na Rua Candarai, 589).

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