'Jamais imaginei que a violência chegaria à nossa família'

"Jamais imaginei que essa onda de violência chegaria à nossa família." Foi assim, após respirar fundo, que Raul Turquetti, de 32 anos, definiu o que sentiu após a morte do irmão Pedro, uma das vítimas da violência na Grande São Paulo.

DENIZE GUEDES, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2012 | 02h02

"Ele faria 22 anos no próximo dia 24. Era a coluna de casa, ajudava nas contas", disse Raul sobre Pedro, que estudava Sistemas de Informação na Universidade de São Paulo (USP) Leste e trabalhava como técnico em Informática no Instituto Tecnológico de Barueri (ITB), cidade onde morava com a mãe, outro irmão e uma irmã.

Segundo Raul, Pedro saiu de casa por volta das 21h de quinta-feira para fazer um favor a um amigo que tinha esquecido a chave no trabalho. "Minha mãe não estranhou a demora dele em voltar, ele era de sair à noite com os amigos."

Quando Pedro foi abordado em Santana de Parnaíba, onde estava com os amigos Pedro Mattos, de 22 anos, que também morreu, e Washington Luiz, que fazia aniversário, foi baleado e sobreviveu. Os dois Pedros esperavam a meia-noite para felicitar o colega e tomar cerveja.

"Soube que ele ainda quis conversar (com os atiradores), levantou as mãos para eles", contou a prima Gilmara Turqueti, de 41 anos. "Era uma pessoa do bem, respeitoso, amoroso com a família. Está sendo um choque ele ser vítima dessa violência. "

Gilmara conta que soube da morte por um telefonema da tia às 5h de ontem. "Ela me contou que tinha sido acordada pelo telefonema da polícia, pedindo para comparecer à delegacia. Quando entendi o que havia acontecido, não pude acreditar", disse a prima.

Raul acompanhou a mãe ao local. "Quando cheguei e pediram para a gente sentar e aguardar, imaginei o pior.

Pedro namorava havia cerca de cinco anos Eveline Paes, que conheceu ainda na escola. Ela estuda Veterinária na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e se mantinha no Rio com ajuda de Pedro. Os dois tinham plano de se casar.

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