Jaime Lerner

ARQUITETO E URBANISTA

, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2010 | 00h00

1. Há solução para a cidade de São Paulo com esse trânsito caótico, problemas no transporte público, áreas degradadas, falta de habitação e tudo mais?

Qualquer cidade no mundo pode melhorar a qualidade de vida em três anos. É preciso visão estratégica e estrutura urbana. O melhor exemplo de qualidade de vida é a tartaruga porque une vida e trabalho com mobilidade. O casco parece com uma textura urbana. Se cortar o casco com trabalho aqui, uma outra divisão ali, acaba matando a tartaruga.

2. Sua proposta é misturar tudo num só local, moradia, trabalho e lazer?

Quanto mais mesclar vida e trabalho melhor é. Não dá para separar economia de gente.

3. Essa proposta dos bulevares suspensos, os promenades, vai criar nichos de prédios. Será que qualquer pessoa poderá adquirir um apartamento?

Os prédios levam em consideração as características de cada bairro. São para todas as faixas de renda. É um novo modelo de ocupação da cidade. Atrelamos moradia, habitação, lazer. Vai diminuir o número de viagens e o consumo de energia nos deslocamentos.

4. Não é uma situação utópica?

O projeto leva em conta os nós estratégicos da rede essencial com polos indutores de desenvolvimento. As promenades serão um marco de renovação urbana. Quando criamos os corredores de ônibus em Curitiba, há 25 anos, também falavam que não ia dar certo. Hoje é referência.

5. Mas não vai criar guetos?

Haverá conexão com os empreendimentos vizinhos. Vai qualificar as áreas periféricas, proporcionar o relacionamento da cidade com seus rios. Inclui até soluções de microdrenagem.

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