Jaguatirica é vetada em desfile da Tom Maior

Escola também pretendia levar amanhã para o sambódromo do Anhembi uma suçuarana e uma iguana, mas pode ser enquadrada em lei ambiental

Marici Capitelli, O Estado de S.Paulo

03 Março 2011 | 00h00

A escola de samba paulistana Tom Maior está proibida de levar amanhã para o sambódromo do Anhembi uma jaguatirica, uma suçuarana e uma iguana, como pretendia o presidente da entidade, Marko Antonio de Souza. Tanto o Ministério Público Federal quanto o Ministério Público Estadual de São Paulo estão tomando medidas para que integrantes da escola sejam conduzidos para a delegacia, caso desrespeitem a Lei de Crimes Ambientais e apareçam com os bichos para o desfile.

Ontem, o presidente da agremiação paulistana não compareceu a uma audiência no Ministério Público Estadual e também não respondeu a um ofício enviado pelo Ministério Público Federal. "Eu não vou comentar esse assunto", afirmou o presidente ao ser questionado porque não havia comparecido à audiência. Também deu a mesma resposta para a pergunta se estava mantida ou não a presença dos felinos e da iguana na abertura do desfile.

O procurador da República, Adilson Paulo Prudente do Amaral Filho, do Ministério Público Federal (MPF), afirmou que vai estender até hoje o prazo para que a escola se pronuncie. "Caso não dê uma resposta, já vou afirmando que não vai levar os animais, e vou notificá-los sobre os crimes em que estão incorrendo", explicou.

A outra medida que o procurador vai tomar será acionar o comando da Polícia Militar que atuará no sambódromo, a partir de amanhã. "Vou pedir para que fiquem alertas. Caso os sambistas apareçam com os animais, deverão ser imediatamente conduzidos para a Polícia Federal e vão passar todo o desfile sentados na delegacia", adiantou. Segundo ele, não apenas o presidente, mas todos os integrantes da escola que estiverem notificados na operação vão ser autuados.

Ainda de acordo com o procurador, o uso de bichos no desfile de escolas de samba fere o artigo 29 da Lei de Crimes Ambientais - utilização não autorizada de animais silvestres. E ainda há o risco de se incorrer no artigo 32 - maus-tratos.

Ibama. Procurado, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que ainda teria de autorizar a participação dos animais. Ainda enviou resposta ao MPF, relatando que a escola não pediu autorização para o desfile. Mesmo que o fizesse, o pedido não seria autorizado.

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