ANA CAROLINA/AE
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Jaguaré: um dos primeiros bairros planejados de São Paulo

Na década de 30, o engenheiro Henrique Dumont Villares desenhou ruas e praças e distribuiu pelo loteamento áreas industriais e destinadas à moradia dos operários

O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2015 | 14h56

Na zona oeste, encostado em Osasco, o Jaguaré ("lugar onde existe onça", em tupi) é um distrito formado atualmente por sete bairros. São cerca de 50 mil habitantes que vivem no próprio Jaguaré e também no Centro Industrial, no Conjunto Butantã, no Parque Continental e nas vilas Graziela, Jaguaré e Lageado.

Em 1935, o Jaguaré surgiu como bairro planejado, quando o engenheiro Henrique Dumont Villares, sobrinho de Santos Dumont, comprou os 165 alqueires de terra e botou no papel o desenho de suas ruas, com muitas praças, e a disposição das casas, das fábricas e do comércio.

O desenvolvimento da região ganhou impulso na década de 40, sobretudo após a construção da ponte do Jaguaré, que liga o distrito à Vila Leopoldina, à Lapa e ao Alto de Pinheiros. Sua abertura, possível graças a uma doação de 700 réis feita por Villares à Prefeitura, mudou a dinâmica do bairro. Possibilitou conexões com as demais áreas da cidade e atraiu muitas fábricas.

Na metade do século XX, o Jaguaré se consolidava como um bairro industrial. Seu ‘patrono’ ainda planejou um parque para a região. A área de 150 mil metros quadrados, projetada para ocupar a porção central do distrito, foi concedida por Villares à Prefeitura, mas o parque nunca saiu do papel. O terreno acabou invadido entre as décadas de 60 e 70, com a intensificação da migração para a cidade, e deu origem a uma das maiores favelas do município, a Vila Nova Jaguaré, com mais de doze mil habitantes.

O Mirante do Jaguaré (Praça do Relógio) é um ponto de referência. Foi construído em 1943, consolidou-se como símbolo do bairro e do distrito nos quais está inserido e ficou conhecido popularmente como “farol”. Só foi tombado pelo Conpresp nos anos 2000. A lentidão em proteger permitiu a intrusão de um prédio na paisagem, desfigurando a vista de quem está no topo (são 28 metros de altura) e dificultando também avistá-lo de longe (da marginal, por exemplo).

1925

A área era ocupada por sítios e chácaras de imigrantes e pertencia à Companhia Suburbana Paulista, fundada por Ramos de Azevedo. O nome Jaguaré foi tirado de um ribeirão.Sua nascente ficava em Osasco e ele desaguava no Pinheiros.

1935

O engenheiro Henrique Dumont Villares projeta o bairro prevendo regiões específicas para que fossem implantadas fábricas e construídas casas e comércios. No desenho das ruas, ele projetava muitas praças

1940

O bairro atraiu centenas de fábricas, consolidando-se como distritos industrial sobretudo depois da construção da Ponte do Jaguaré, que em sua primeira versão foi inaugurada em 1942.

1960 e 1970

A área de 150 mil metros quadrados doada por Villares à Prefeitura, para o estabelecimento de um parque, começa a ser ocupada por uma favela (Vila Nova Jaguaré, uma das maiores da cidade atualmente)

1980

A recessão faz com que muitas indústrias (não todas) deixem o bairro. O desenvolvimento – ainda que nos últimos anos tenha sido desordenado – fica mais contido. 

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