Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Jaguaré, o bairro que é a cara de São Paulo

Dados do último Censo mostram que lá quase todos os índices demográficos são iguais ou muito parecidos aos da média da cidade

ADRIANA FERRAZ, NATALY COSTA, RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2011 | 03h04

Se algum bairro pudesse ser um retrato em miniatura de São Paulo, seria o Jaguaré. Levantamento feito pelo Estado nos dados do Censo Demográfico de 2010 mostra que, dos 96 distritos da capital, o Jaguaré, na zona oeste, é o que possui indicadores mais similares à média da cidade. Na região, vê-se uma mistura tipicamente paulistana: casas antigas, favelas, indústrias, prédios de alto padrão recém-construídos e até o tradicional engarrafamento do fim da tarde.

O levantamento foi feito a partir da média ponderada de 11 dados coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), levando em consideração características como raça, renda, estado civil, filhos, sexo e idade. Nenhum dos bairros paulistanos chega tão perto da média municipal quanto o Jaguaré, na zona oeste. Lá, a renda média por domicílio é de R$ 3,6 mil, 19,2% dos moradores são casados, 60,6% são brancos, 52,7% são mulheres e 26,5% têm menos de 18 anos, por exemplo.

Esses números praticamente se repetem na média da capital, que tem renda de R$ 3,5 mil, 19,2% de casados, 60,6% de brancos, 52,7% mulheres e 26,7% de menores de idade. O indicador mais diferente é a renda - apenas 5% maior que o total da cidade. Todas as outras características variam menos de 1,5%. Para efeito de comparação, bairros distintos da média, como Morumbi, na zona sul, chegam a ter diferença de até 250% em alguns dados.

E, se o Jaguaré é a cara de São Paulo, a dona de casa Márcia Cristina Garcia, de 42 anos, é a cara do Jaguaré. Ela é branca, divorciada, mora só com a filha e tem renda mensal próxima de R$ 3,6 mil. "Aqui tem um monte de gente como eu. Encontro essas mulheres na padaria, na feira, no açougue", afirma.

Márcia acredita que tem sorte de morar na região. "O bairro está crescendo, ficando mais sofisticado. Já tentaram comprar minha casa por R$ 700 mil. Como o imóvel é herança de família, devo vendê-lo em breve. Mas vou continuar aqui. O Jaguaré é um ótimo lugar para se viver."

A satisfação da população é reflexo da sensação de segurança nas ruas. Apesar do boom imobiliário e do maior movimento de carros e pedestres, muitas casas ainda não têm portões nem guaritas com vigias noturnos.

Dificuldades. Mas, aos poucos, o contraste social começa a saltar aos olhos, assim como os problemas viários. A presidente da Associação dos Moradores do Jaguaré (Saja), Maria Gema Martins, cita os prós e contras do processo de transformação urbana pelo qual passa a região. "Temos tudo perto de casa agora, de salão de beleza a shopping. Mas como estamos em área de divisa (com o município de Osasco), enfrentamos dificuldades na manutenção das vias. Fica um jogo de empurra entre as prefeituras."

Os limites municipais estão demarcados no bairro do Parque Continental. O sossego dos moradores que vivem em casas luxuosas espalhadas pela área, no entanto, está cada vez mais ameaçado pelo trânsito. Para fugir das filas formadas na chegada à capital pela Rodovia Presidente Castelo Branco, parte dos motoristas de Osasco opta por cruzar as ruas tranquilas do bairro para cortar caminho.

O "jeitinho" já virou até tópico de discussão entre a prefeitura de Osasco e a Subprefeitura da Lapa, que abrange o Jaguaré. "O maior problema é que Osasco acabou expandindo o viário para dentro do bairro e ainda não conseguimos resolver essa questão", explica o subprefeito da Lapa, Carlos Fernandes.

Outro desafio do Jaguaré é a favela, uma das maiores da cidade, atualmente com 12 mil habitantes e em fase de reurbanização pela Prefeitura. "Foi uma ocupação que ocorreu entre as décadas de 1970 e 1980 por causa das indústrias. Agora, nosso objetivo é criar prédios de baixa renda para abrigar essa população", diz Fernandes.

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