Jacu terá um corredor de ônibus exclusivo

Sistema a ser adotado deve ser o BRT, com embarque em plataformas elevadas e baldeações livres, a exemplo de Bogotá e Curitiba

Rodrigo Burgarelli e Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2010 | 00h00

Outro plano da gestão Geraldo Alckmin para o transporte na Região Metropolitana é a criação de um corredor exclusivo de ônibus na Jacu-Pêssego, avenida que liga Guarulhos a Mauá, passando por São Paulo. A ideia da nova equipe é fazer um corredor no estilo Bus Rapid Transit (BRT) - nele, o passageiro paga a passagem antes de embarcar em plataformas elevadas e faz quantas baldeações quiser. O sistema ficou famoso em cidades como Bogotá, na Colômbia, e Curitiba.

A ideia da equipe é dotar a zona leste da capital - que deverá ser palco da abertura da Copa do Mundo - de um meio de transporte de média capacidade que atravesse o eixo norte-sul. Atualmente, as linhas de metrô e trem (Linha 3-Vermelha, 11-Coral e 12-Safira) cortam a região de leste a oeste, direção que também será seguida pelo monotrilho da Cidade Tiradentes.

O projeto do BRT visa a aproveitar os 13,6 km da Nova Jacu-Pêssego, cuja ampliação foi entregue à população no mês passado. O novo trecho foi construído como via expressa - são três pistas de asfalto novo e sem semáforo. Mesmo assim, não foi descartada a adoção de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) ou mesmo um monotrilho para cortar a região transversalmente.

O prazo para a obra sair, no entanto, deve ficar para o fim da gestão Alckmin, em meados de 2014, ano da Copa. "A Jacu-Pêssego funciona como um minianel viário e muitos caminhões devem ir para lá. Então, para o BRT começar a funcionar, o Trecho Leste do Rodoanel tem de estar pronto", afirmou Jurandir Fernandes, líder da equipe de transição do governo estadual. A estimativa é de que a construção do Trecho Leste demore 40 meses.

Melhorias. Para a mesma região, a Prefeitura de São Paulo aposta nas melhorias das ruas próximas do trecho antigo da Jacu-Pêssego como parte da Operação Urbana Rio Verde-Jacu, que visa a aumentar a oferta de empregos na zona leste. A parte mais antiga da avenida tem cruzamentos e semáforos. "Vamos estudar melhorias na transposição da Jacu-Pêssego para melhorar a ligação dos dois lados", adiantou o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem.

A operação urbana atinge uma área de 11 mil hectares e mais de 1 milhão de habitantes. Dentro desse perímetro, a Prefeitura pretende construir três polos, que seriam conectados por parques lineares. O Polo Institucional, ao lado do Metrô Itaquera e do futuro estádio do Corinthians, seria formado por uma rodoviária interestadual, um Fórum de Justiça, um Senai, uma Escola Técnica Estadual (Etec) e uma Faculdade de Tecnologia (Fatec) - estas, atualmente em construção. O espaço também teria uma incubadora, que serviria para alimentar o Parque Tecnológico, o segundo polo.

O terceiro equipamento público é o Polo Econômico, um espaço onde será incentivada a instalação de indústrias e empresas de tecnologia da informação e logística. Para atrair empresários, a Prefeitura pretende lançar, no primeiro semestre de 2011, editais da Lei de Incentivos Seletivos, que preveem descontos nos impostos municipais para quem instalar-se na área.

PARA ENTENDER

A previsão é de que as cidades-sede da Copa de 2014 receberão 20 projetos de BRT. Um dos grandes impulsionadores deve ser o PAC da Mobilidade Urbana do governo federal. Somente os projetos previstos para o Mundial deverão absorver investimentos de mais de R$ 4 bilhões.

Em média, o custo para adotar os VLTs é o dobro dos modelos de Curitiba e Bogotá. Um projeto para trens leves exige pelo menos R$ 37 milhões por quilômetro, enquanto um BRT sai por R$ 18,8 milhões/km. Os defensores de corredores exclusivos ainda argumentam que, a um custo de operação menor, conseguem transportar praticamente a mesma quantidade de pessoas dos VLTs.

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