Jacu-Pêssego é onde mais se morre atropelado

Ocorrências na via da zona leste crescem após ligação com Rodoanel e desbancam Marginal do Tietê no topo do ranking

BRUNO RIBEIRO, NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2011 | 03h02

A Avenida Jacu-Pêssego foi o local onde mais pessoas morreram atropeladas em São Paulo no primeiro semestre deste ano. Vias principais que cortam a periferia da cidade e vias expressas - como as duas marginais - completam o ranking dos locais com mais atropelamentos fatais na capital.

O balanço foi feito pela companhia a partir de informações do Instituto Médico Legal (IML) e de boletins de ocorrência. No total, a cidade registrou 325 mortes por atropelamento entre janeiro e junho, quase duas por dia.

A Jacu-Pêssego teve uma morte por atropelamento a cada três semanas em média. Recentemente, a rota foi ampliada da Avenida Ragueb Chohfi, na zona leste, até o Trecho Sul do Rodoanel, o que aumentou o fluxo de veículos pesados e em alta velocidade, transformando a via em uma espécie de "mini Trecho Leste" do Rodoanel.

É esse novo perfil da via que, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), pode ter influenciado o aumento no número de atropelamentos - no ano passado, a Jacu-Pêssego nem aparecia no ranking das dez mais perigosas para o pedestre.

"Com essa ligação com o Rodoanel, é uma rodovia que passa no meio da cidade. Lá, a velocidade dos carros é alta e o desejo de travessia da população que mora ao lado, grande", diz o gerente de Segurança de Trânsito da CET, Luiz de Carvalho Montans.

Marginal. No ranking de 2010, a Marginal do Tietê figurou como a via mais perigosa, com 21 mortes de janeiro a dezembro. Neste ano, até agora, apareceu em terceiro lugar, com seis mortes.

A avaliação da CET é que as campanhas de conscientização têm pouco efeito nas marginais - os atropelamentos que ocorrem ali são, na maioria, de andarilhos e ambulantes que cruzam a via irregularmente.

Grandes corredores que funcionam como avenidas principais nos extremos da cidade continuam na lista das mais perigosas, principalmente na zona sul. Engenheiro Armando de Arruda Pereira, Professor Francisco Morato e as Estradas de Itapecerica e do M'Boi Mirim, todas na zona sul, somaram 17 mortes.

Em 2010, a Estrada de Itapecerica ficou em quinto lugar entre as vias mais perigosas. Até junho deste ano, subiu para o segundo lugar, com sete mortos (mais de um por mês). A Estrada do M'Boi Mirim ficou em sétimo lugar no primeiro semestre deste ano, com quatro mortes. .

Na zona leste, duas grandes vias que já figuravam no ranking de 2010 permanecem perigosas: Ragueb Chohfi e Sapopemba, com quatro mortes cada.

Campanha. Desde maio, a CET desenvolve o Programa de Proteção ao Pedestre para evitar mortes por atropelamento. Até setembro, as ações da campanha estavam restritas ao centro, definido como "Zona Máxima de Proteção ao Pedestre".

Mesmo assim, a Avenida São João, uma das principais vias da região central, entrou no ranking das mais perigosas da cidade. Foram quatro mortes registradas no primeiro semestre.

"O trânsito de pedestres ali é enorme, tem comércio em ambos os lados, o que causa muita travessia", afirma Montans.

A CET informou que as dez vias são monitoradas diariamente por agentes de trânsito em viaturas operacionais e por orientadores de travessia.

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