Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

'Já vi muitos desequilibrados no Metrô. Corremos perigo', diz testemunha de esfaqueamento

Passageiros relatam insegurança nos vagões; Metrô diz que índice de 0,35 ocorrência por milhão de transportados se mantém

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

16 Agosto 2017 | 19h54

SÃO PAULO - Usuários do Metrô em São Paulo relatam medo e insegurança no transporte público e dizem que é preciso ficar alerta. Nesta terça-feira, 15, um adolescente de 15 anos foi esfaqueado por um homem dentro de um vagão, quando a composição passava pela Estação da Sé, no centro da cidade. Everton Lima dos Santos, de 34 anos, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva durante audiência de custódia nesta quarta.

"Foi um susto muito grande, um caos, um desespero. Tinha uma moça do meu lado chorando bastante e um rapaz desmaiou. Fica o alerta porque já vi muita gente desequilibrada. Não reajam mesmo sendo empurrados. Todos nós que usamos transporte público corremos perigo", diz o publicitário Bruno da Cruz, de 29 anos, que testemunhou o esfaqueamento desta terça. 

Segundo ele, tudo ocorreu muito rápido. "O trem estava saindo da Estação Anhangabaú rumo à Sé. Estava em uma porta e ouvi um tumulto na porta ao lado, a uns cinco metros de mim, um barulho de gente gritando desesperada, muito alto e acima do que costuma acontecer por lá. Percebi que tinha coisa errada", disse. 

De acordo com Cruz, alguns segundos depois, o rapaz ferido foi retirado "às pressas" do Metrô e a gritaria se intensificou. "Todos viram o que estava acontecendo, perceberam o rapaz esfaqueado e viram sangue no chão. Rapidamente, seguranças do metrô conseguiram agir, retiraram o rapaz e pelo que percebi foram atrás do suspeito e evacuaram o vagão", disse. 

O jovem foi levado à Santa Casa, onde passou por cirurgia. Segundo o hospital, o estado de saúde dele é estável e o adolescente está em observação médica. De acordo com o delegado Marcos Vinícius da Silva Reis, o esfaqueamento ocorreu após uma briga, que teria começado quando Santos furou a fila para embarcar ainda no terminal Barra Funda.

Mesmo antes do episódio, passageiros que utilizam a estação Sé do Metrô já sentiam insegurança e recomendam estado de alerta com os pertences. "Se a pessoa quiser entrar com uma faca ou um revólver, ninguém vai impedir. É um lugar muito inseguro, diz o gerente comercial Douglas Luís Miranda, de 35 anos. "Em aeroporto tem raio-x e aqui também deveria ter", sugere.

"Os seguranças do metrô só servem para espantar camelôs que ficam vendendo coisas nas estações, mas a insegurança se mantém", reclama o pintor João Lúcio da Silva, de 44 anos. "Qualquer um pode entrar". O mesmo pensa a cozinheira Maria Aparecida Menezes, de 50 anos. "Sempre pego metrô e aqui () é uma estação muito lotada. Tem de ficar com a bolsa grudada no corpo, ficar alerta sempre".

Agentes. Em nota, o Metrô de São Paulo informou que conta com mais de 1.100 agentes "treinados para atuar em benefício de todos os passageiros, realizando estratégias operacionais e rondas constantes, uniformizados e à paisana, nos trens e estações do sistema, além de uma infraestrutura com 3.500 câmeras de monitoramento".

Segundo o Metrô, na ocorrência desta terça, "os agentes de segurança agiram prontamente socorrendo a vítima - levada ao PS da Santa Casa - e detendo o agressor, que foi encaminhado para a Delpom (Delegacia do Metropolitano)".

O Metrô diz que as estratégias e as ações do efetivo de segurança mantém estáveis os índices de ocorrências de segurança pública no sistema, que é de 0,35 ocorrência (como furto, roubo e briga) por milhão de passageiros transportados.

 

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