''Já não procuram justiça, querem vingança'', diz pai

Antônio Nardoni afirma ter ''confiança total'' na inocência do filho e da nora, crê na absolvição e aponta falhas em inquérito policial

Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

21 Março 2010 | 00h00

Desde que a vida de sua família mudou, em 29 de março de 2008, o advogado tributarista Antônio Nardoni, pai de Alexandre Nardoni, assumiu o papel de maior defensor da inocência do filho e da nora, Anna Carolina Jatobá, acusados pela morte de Isabella. Acompanhou depoimentos, elaborou dossiê destacando o que considera problemas no inquérito e alega "confiança total" na inocência dos dois. Às vésperas do julgamento, ele se diz injustiçado. "Não se procura mais justiça. Agora, o que estão querendo é vingança", afirma.

"Em nosso sistema judicial, alguém tem de pagar a conta. É isso que o Ministério Público e a polícia estão tentando fazer", disse o advogado, em contato telefônico com o Estado. "Mas temos confiança de que o Judiciário não vai seguir essa linha. Não existem provas concretas contra meu filho e minha nora, não há laudo que os comprometa."

Nardoni aponta uma "terceira pessoa" como "maior possibilidade" para a autoria do crime. "Nossa defesa vai demonstrar contradições da acusação. Foi encontrada uma camiseta com sangue, mas nunca comprovaram de quem é o sangue. De quem é? E a camiseta? Não se pode descartar uma terceira pessoa", afirmou. "Há marca de mão de criança numa parede no apartamento, que só pode ser de Isabella, e isso quebra a tese da acusação de que ela entrou no apartamento desacordada. A Justiça não pode condenar sem completa convicção dos fatos. Pelo menos é o que esperamos."

Ele questiona também a condução do inquérito. "Como vamos confiar que o inquérito foi levado de forma imparcial, se a primeira delegada a atender o caso é amiga pessoal da maior acusadora, a Ana Carolina de Oliveira (mãe de Isabella). Difícil pedir que haja uma decisão imparcial", afirma.

Ansiedade. Acostumado a visitar o filho todo fim de semana na Penitenciária de Tremembé, a 147 quilômetros da capital, Antônio Nardoni diz que Alexandre está "ansioso" com a proximidade do julgamento. "Se está nervoso? A pessoa nunca foi presa, nunca bebeu, nunca fumou, nem passou pela delegacia. Nunca fez nada de errado. E agora, é acusado pela morte de uma criança, que era o que ele mais amava na vida. Ele está ansioso pela proximidade do julgamento."

Ainda assim, segundo Nardoni, o filho tem "a consciência tranquila" e "a certeza" de que será absolvido. "Ninguém está fugindo da verdade. Meu filho quer a verdade, nossa família e a família da minha nora também. Estamos todos procurando somente descobrir o que realmente aconteceu, não temos medo disso", diz Antonio.

Rotina. Após meses de exposição intensa na mídia, até hoje os Nardonis não retomaram a rotina - a família ainda é apontada na rua, sem manifestações violentas, mas sempre com muita curiosidade. "É nítido que nós chamamos a atenção e, sinceramente, é impossível se preservar", diz. "Não temos mais vida social, nos sentimos incomodados. Sou uma pessoa simples, estou desabituado a ir a locais e todos ficarem me olhando. Então, prefiro evitar."

Dividindo a guarda dos outros dois netos, Pietro, de 5 anos, e Cauã, de 2, com a família Jatobá, Antonio conta que as famílias são "extremamente diligentes" em manter preservadas as crianças. "Alguém em algum momento, seja a polícia ou a imprensa, se preocupou com o que vamos dizer aos nossos netos? Se preocupou com a cabeça deles? É por isso que não falo absolutamente nada sobre eles."

Antonio se diz "chateado" com a postura de Ana Carolina de Oliveira, mãe de Isabella, em relação ao caso. "Ela sabe que o Alexandre jamais faria uma coisa dessas e, a princípio, foi isso mesmo que ela disse. Depois é que mudou de ideia e passou a acusar", disse. "A verdade é que até hoje ninguém sabe o que aconteceu. Só sabemos que a história não é exatamente essa que contam. Temos de pensar que são três famílias sofrendo, e não somente uma. Minha família também perdeu uma neta, e temos um filho preso injustamente há quase dois anos. Merecemos o mesmo respeito."

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