'Itaquerão' vira nova atração turística

Visitantes de outros Estados e até estrangeiros vão à zona leste ver construção

Marici Capitelli, Jornal da Tarde, O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2011 | 03h01

A capital paulista ganhou um badalado e empoeirado ponto turístico: as obras do estádio do Corinthians em Itaquera, zona leste. Todos os dias, munidos de máquinas fotográficas e câmeras de vídeo, visitantes registram a construção da arena. Antes de ir embora, fazem questão de serem fotografados com o canteiro ao fundo. Os turistas são unânimes e garantem que a visita é um momento único em suas vidas.

Eles são de todas as partes da cidade, do País e até exterior. Na segunda-feira passada, os moradores da Cohab 1 até tiveram de dar uma ajuda para um casal da Finlândia, que depois de ver as obras queria pegar o Metrô. "A gente conseguiu se comunicar um pouco. Daquele jeito, né", diz o morador José Arnaldo, de 25 anos, que acompanha a obra todos os dias do alto do morro.

Durante a semana, a maior parte dos visitantes se contenta em ficar na Rua Doutor Luís Aires, que é bem próxima do Metrô e oferece uma boa vista da obra. Na sexta-feira, Amaro Cesar Silva Batista, de 44 anos, que mora em Goiânia, esteve no local com o sobrinho Arthur, de 18. Eles estão hospedados na casa de parentes na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte. "É um sonho estar aqui, porque a gente só vê pela televisão", diz Amaro.

Nos fins de semana, a dica é subir o morro ao lado dos apartamentos da Cohab 1. O local fica ocupado o dia todo por corintianos, que se denominam "fiscais do Itaquerão". Contam os 20 "fiscais" que já passaram por lá gaúchos, mineiros e catarinenses. Para maior conforto, foram colocados três sofás velhos no morro. É só sentar e ficar assistindo o estádio ser erguido. Todo mundo é bem-vindo, garantem os corintianos cativos.

"Só pusemos para correr uma equipe de TV que estava falando mal do estádio", diz o administrador de empresas Gilberto Lopes de Melo, de 39 anos, que mora em Arthur Alvim. Corintiano apaixonado, ele vai ao morro todos os dias. Como trabalha à noite, tem disponibilidade para apreciar o estádio diariamente, das 14h às 18h. "É o sonho de todo corintiano."

Até o palmeirense Joaquim Nicolau Charles, de 59 anos, que anda com a ajuda de uma muleta, fez questão de levar o amigo Cícero Luiz Gomes, de 37, para visitar as obras. Ambos moram em Interlagos, na zona sul, e gastaram duas horas e meia para chegar à construção. "Nossa, estou muito emocionado, porque esse é o sonho de todo corintiano", diz Cícero, que combinou o passeio com o amigo há cerca de 15 dias. Ele acabou de completar 37 anos e disse que foi o melhor presente de aniversário. Joaquim, que acompanhou o amigo, já conhecia a obra, porque o filho mora em Itaquera. Cícero nunca havia estado na região.

Mais do que ver a movimentação dos 650 operários que estão construindo o estádio, o padeiro Edson Santiago, de 34 anos, tinha planos mais ousados. Morador do Tatuapé, zona leste, já invadiu a obra uma vez. "Queria ter a sensação de estar lá dentro." Foi retirado pelos seguranças. Ia tentar na sexta-feira levar o filho de 8 anos para jogar bola na arena. Apesar do entusiasmo do pai, o menino não quis invadir. "A gente fica daqui de fora mesmo e faz as fotos."   

 

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