Itaim-Bibi ganhou 17 mil carros no ano passado, recorde da cidade

Juntos, esses veículos ocupariam 38% das vias do bairro; segundo estudo, Saúde e Jardim Paulista aparecem em seguida

RODRIGO BRANCATELLI, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2011 | 03h02

Bairro com maior número de restaurantes da cidade e com o metro quadrado mais caro da região metropolitana, o Itaim-Bibi, na zona sul, também é o local que mais ganha carros novos em São Paulo. Segundo um estudo inédito que analisou todos os registros de venda e emplacamentos, os moradores do bairro compraram no ano passado exatos 17.012 carros 0 km. Para-choque a para-choque, eles somariam 69 km de veículos, mais do que a distância do centro da capital até Jundiaí.

No Itaim-Bibi, 20% dos moradores compraram carros no ano passado. Em segundo lugar do ranking, aparece a Saúde (13.525 emplacamentos), seguida pelo Jardim Paulista (13.080), Vila Mariana (10.722), República (10.352), Moema (8.501), Santana (8.334) e Santo Amaro (8.150). Mais impressionante ainda é que a frota dos bairros paulistanos infla em média em uma velocidade seis vezes superior ao crescimento da população. Para se ter ideia, se apenas esses novos carros emplacados em 2010 fossem colocados na rua simultaneamente, eles ocupariam quase 10% de todo o sistema viário de São Paulo.

Saturação. Em muitos bairros, a saturação das ruas e avenidas é ainda mais evidente. No Itaim-Bibi, somente os novos carros do bairro ocupariam 38% das vias. No Jardim Paulista, 54%. Já na Bela Vista, seriam 64%, enquanto na República esse índice chegaria a 84%. O resultado de tantos veículos sendo despejados na cidade já é bem conhecido dos paulistanos - vias congestionadas.

Os dados constam de um estudo feito pela empresa de consultoria Escopo Geomarketing + Pesquisa de Mercado. "Normalmente, a renda é um dado importante para explicar os motivos de um bairro ganhar mais carros do que o outro, mas não é a única variante", diz Regina Kajikawa Lisboa, diretora de projetos e pesquisas da Escopo. "Nos bairros mais valorizados, as famílias compram mais carros, enquanto na periferia as pessoas trocam moto pelo carro, entram em financiamento para ter o primeiro veículo."

Na outra ponta. Os bairros que menos ganharam carros novos em 2010 foram Marsilac (28), Anhanguera (438), Parelheiros (591), Guaianases (612), Iguatemi (624), Perus (626) e Pari (638). Entre as região de São Paulo, a diferença de renda também cria diferenças entre os veículos comprados. "As regiões mais periféricas apresentam presença ainda mais forte dos carros pequenos, 77%", diz Regina. "Os 'carros-família', como minivans, peruas, sedans e monovolumes, apresentam boa penetração nas regiões de renda mais alta, onde participam com 35% dos emplacamentos, contra uma média de 27% da cidade toda."

São Paulo emplaca aproximadamente 350 mil veículos por ano. Com a entrada de tantas placas novas na frota, a capital tem agora 629 veículos para cada mil habitantes - para efeito de comparação, os Estados Unidos têm 478 e a Itália, 539.

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