'Isso nos faz reviver o drama do acidente'

Para famílias de vítimas das tragédias da Gol, TAM e Air France, fraude é mais uma 'afronta' aos mortos e seus parentes

RIO , O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2011 | 03h07

Para familiares de vítimas dos acidentes aéreos, usar essas tragédias para fraudar a Previdência Social é mais um desrespeito aos mortos. "Isso dói porque faz com que a gente reviva o drama do acidente e serve também para confirmar que os corpos foram pilhados no meio da mata. Levaram documentos dos mortos e estão usando esses papéis até hoje", diz Rosane Gutjahr, diretora da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 1907. No acidente, em 2006, um jato Legacy colidiu com um Boeing da Gol, que caiu em área de mata fechada em Mato Grosso, matando as 155 pessoas que estavam a bordo.

"É mais uma afronta às vítimas e seus parentes", reclama Rosane, que discute na Justiça a responsabilidade pelo sumiço de documentos e objetos dos mortos no acidente. Ela afirmou não ter tido, até ontem, nenhum indício da existência desse tipo de fraude.

"É mais um fato lamentável relativo a uma tragédia", diz Nelson Faria Marinho, presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 447 (da Air France). No desastre, em 2009, as 228 pessoas a bordo morreram quando o avião que ia do Rio para Paris caiu no Oceano Atlântico. "O pior é que tem funcionários do INSS envolvidos", diz. "Mas, no caso do voo 447, não havia ninguém sem parentes vivos, sem alguém que estivesse acompanhando a situação. Então, uma hora ou outra a família saberia da fraude", diz ele, que aguarda a chegada do corpo do filho, recentemente resgatado do fundo do mar, para enterrá-lo em dezembro.

Segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), os integrantes da quadrilha conseguiram nove benefícios fraudulentos. "No voo da Gol, houve quatro benefícios fraudulentos. No acidente com o avião da TAM (em Congonhas, em 2007), foram dois benefícios. Por fim, três benefícios foram fraudados no voo 447 da Air France. Todas as fraudes aconteceram em 2010 e 2011", disse a superintendente do INSS, Maria Alice Rocha Silva. Os nove benefícios foram suspensos, segundo ela. Os casos despertaram suspeita pela demora entre o momento do acidente e a solicitação da pensão. / F.G.

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