Isolar mãe da vítima foi solução arriscada

Isolar mãe da vítima foi solução arriscada

Criminalistas ouvidos se dividem sobre a validade da medida, uma vez que Ana Carolina emocionou até uma das juradas

, O Estadao de S.Paulo

24 Março 2010 | 00h00

A tática da defesa de pedir que a mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira, fique durante todo o julgamento no próprio tribunal, incomunicável, é ao mesmo tempo "cabível" e "perigosa". O pedido foi feito anteontem pelo advogado de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, Roberto Podval, e aceito pelo juiz Maurício Fossen ? segundo Podval, pode ser necessária uma acareação no decorrer do júri.

Ao mesmo tempo que os jurados podem entender a tática do advogado como possível falta de bom senso, a defesa evita assim que Ana Carolina volte ao tribunal como espectadora, sensibilizando ainda mais o conselho de sentença. "Não é costumeiro fazer isso, mas é permitido", diz o criminalista Tales Castelo Branco. "Isso faz parte da tática da defesa, pois ela pode ainda passar por acareação e precisa ficar incomunicável", completa o advogado Carlos Kauffmann.

O criminalista Leonardo Pantaleão avalia que a presença o tempo todo de uma mãe num estado emocional abalado, esperando dos jurados uma resposta para a morte da filha, causa impacto em quem vai julgar. "Para a defesa, foi uma estratégia que pode ser benéfica, ou seja, tirar a mãe da vista dos jurados, deixá-la fora do cenário, mesmo que não venha a ter acareação." Durante o depoimento de Ana Carolina na noite de segunda-feira, uma jurada chegou a chorar.

Já para o criminalista Antonio Gonçalves a estratégia da defesa envolveu um risco alto, além de ser antipática. "Ao mesmo tempo que tiraram uma pessoa que poderia influenciar os jurados, podem causar o seguinte questionamento: como tiraram a mãe do plenário? O risco que a defesa está correndo me parece alto." Ele enfatiza que, se estivesse participando da defesa, não falaria em acareação nesta fase.

Polêmica. Para Gonçalves, a decisão de afastar Ana Carolina não foi tomada enquanto a jovem prestava depoimento. "Do ponto de vista técnico, o advogado não improvisou. O risco de uma decisão dessas não é avaliado por emoção."/ RODRIGO BRANCATELLI e MARICI CAPITELLI

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