Isolada, madrasta vai receber apoio psicológico em Tremembé

Anna está em cela na área do seguro, onde ficam recém-chegadas e detentas com problemas de convívio

da Redação, estadao.com.br

09 de maio de 2008 | 22h42

Anna Carolina Jatobá, de 24 anos, madrasta de Isabella Nardoni, de 5, assassinada em 29 de março, vai ter acompanhamento psicológico na Penitenciária Feminina de Tremembé, no Vale do Paraíba, a 135 km de São Paulo, para onde foi transferida na noite de quinta-feira. Anna Carolina e Alexandre Nardoni, de 29, pai de Isabella, são acusados pelo assassinato da menina. Ela está em cela isolada na ala do seguro, chamada Casa Nova, onde ficam as recém-chegadas e detentas com problemas no convívio.   VEJA TAMBÉM 'Agora, a Justiça foi feita', desabafa mãe de Isabella Advogados protocolam habeas-corpus de casal Nardoni Gilmar Mendes cobra cautela na apuração da morte de Isabella Ameaçada, Anna Carolina Jatobá é transferida para Tremembé Imagens da prisão do casal  Leia a conclusão da Justiça sobre o inquérito Fotos do apartamento onde ocorreu o crime  Cronologia e perguntas sem resposta do caso  Tudo o que foi publicado sobre o caso Isabella     Segundo agentes penitenciários, Anna Carolina chegou cansada e abatida. Um funcionário contou que a presa estava traumatizada com as hostilidades sofridas nas 11 horas em que permaneceu na Penitenciária Feminina de Sant’Ana, no Carandiru, zona norte. As presas da capital a chamaram de assassina e ameaçaram matá-la. Por isso, ela foi transferida.   A ala Casa Nova tem dois pavimentos. Na parte superior ficam 11 celas de cada lado. Na parte inferior estão instaladas as escolas. O xadrez de Anna Carolina tem 10 m². No mesmo espaço há um banheiro com bacia de louça e chuveiro com água quente. A cela não tem TV.   Do lado oposto da Casa Nova fica o setor habitacional, também com dois pavimentos. Na parte de cima, estão as celas coletivas. Embaixo, funcionam as oficinas de trabalho das presas. Um pátio para banho de sol separa a parte inferior da Casa Nova e do setor habitacional. O presídio tem capacidade para 140 presas e abriga cerca de 180.   Anna Carolina ganhou roupa de cama, se alimentou e passou a noite chorando. Diretores da penitenciária informaram que as visitas para a recém-chegada estão suspensas por pelo menos dez dias, período em que ela ficará em Regime de Observação (RO), tomando banho de sol por uma hora diária sozinha e não tendo qualquer contato com as outras presas.   O período de adaptação varia de 10 a 30 dias e serve para a administração do presídio saber como será a reação das presas quando a acusada passar a fazer parte da rotina da unidade. Foi o que aconteceu com Suzane von Richthofen, condenada a 39 anos de prisão por matar os pais. Em fevereiro de 2006, Suzane foi transferida para Tremembé onde foi bem recebida, depois do período de adaptação, de 30 dias.   A transferência provocou revolta e curiosidade nos vizinhos e moradores. A doméstica Giane dos Santos, de 29 anos, ficou chocada quando soube da transferência. "Acho que as pessoas deveriam fazer um manifesto na frente do presídio. Não queria que ela viesse para a minha cidade." Tremembé tem 35 mil habitantes e quatro penitenciárias, onde hoje estão cerca de 4 mil presos. Ontem, nenhum advogado esteve na penitenciária.   Alexandre   A presença de Alexandre no 13º Distrito Policial, onde está preso desde quarta-feira, também tem incomodado os outros detentos. Por causa do clima de hostilidade, às 17 horas de ontem o supervisor do Grupo de Operações Especiais (GOE), delegado Luiz Antonio Pinheiro, foi ao local para dizer aos 33 presos que eles terão de aceitar Alexandre.   Os policiais foram ao 13º DP depois de os internos terem escrito com roupas, no chão do pátio onde tomam sol, a frase "Aqui não". Pinheiro ficou 40 minutos no local. O clima estava tão tenso que começaram a circular rumores de que Alexandre seria transferido. Até as 20 horas, ele seguia no local.   Ontem foi dia de visitas. Antônio e Cristiane Nardoni, respectivamente pai e irmã de Alexandre, chegaram atrasados ao local, às 13h10. Só o pai pôde ver o acusado. Nardoni disse que ele passa bem. No almoço, os presos receberam marmita com arroz, feijão, carne, farofa e salada. Na porta do DP, manifestantes carregavam cartazes com frases como "Não ao habeas-corpus".   (Josmar Jozino, Marcela Spinosa e Simone Menocchi, de O Estado de São Paulo)

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