Isolada e sem poder sair da cela, madrasta de Isabella 'só chora'

Rotina de Anna Carolina Jatobá se resume em ficar na cama e se alimentar, na cela de 16 metros quadrados

Simone Menocchi, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2008 | 18h04

Anna Carolina Jatobá está isolada e não sai para o banho de sol desde que chegou à Penitenciária Feminina de Tremembé, no Vale do Paraíba. Segundo um funcionário do presídio, "ela só chora, diariamente". Este presídio, onde estão outras 180 mulheres - entre elas Suzane Von Richtofen - é considerado um dos mais tranqüilos do Estado. Mesmo assim, a direção da penitenciária não arrisca levar Anna Jatobá para o banho de sol, já que ela ainda está no período chamado de R.O. (Regime de Observação).  VEJA TAMBÉMAdvogado diz que pai de Isabella está 'abatido' no CDPNa TV, mãe de Isabella reafirma ciúmes de madrastaAdvogados visitam Alexandre Nardoni na tarde desta quartaPai de Alexandre diz que mãe mentiu em entrevista Julgamento pode ocorrer em 2009, diz promotor Fotos do apartamento onde ocorreu o crime  Cronologia e perguntas sem resposta do caso  Tudo o que foi publicado sobre o caso Isabella   Em uma cela de 16 metros quadrados, clara, com um janela pequena, ela passa o dia. Na cela, localizada na parte inferior da penitenciária, longe dos pavilhões onde ficam as presas, há somente uma cama, um chuveiro e um vaso sanitário. As refeições, às 11 horas e às 17h30 são feitas dentro da cela. "Ela não sai de lá porque a direção da penitenciária ainda não tem certeza da reação das presas e seria arriscado colocá-la no banho de sol neste período. Ela também não quer sair, tem medo", revelou um funcionário que pediu para não ser identificado.  Na mesma noite em que chegou, assim como as outras detentas, teve que trocar suas roupas pelo uniforme marrom claro e branco. No dia seguinte foi atendida por um médico da unidade que fez exames clínicos, verificando a saúde da madrasta de Isabela Nardoni. O atendimento psicológico também deve ser feito, mas depois do período de R.O., de 15 dias. Sem banho de sol, Anna passa o dia sentada ou deitada na cama, trancada na cela, sem falar nada com ninguém. Normalmente as presas recebem revistas, cedidas pela biblioteca do presídio. "Mas ela não recebe nada, nem um gibizinho". No mesmo corredor, onde está a cela de Jatobá, existem outras nove celas únicas, onde ficam as presas de castigo por indisciplina. "Geralmente as presas ficam falando entre elas, gritando, conversando, mas essa moça não fala nada, chora apenas".  As luzes da penitenciária são apagadas às 21 horas, quando todas as presas são obrigadas a estar em suas celas para dormir. Depois de passar o dia das mães sozinha, isolada, na última segunda-feira Jatobá recebeu a primeira visita dos advogados, que devem voltar nesta semana para informar a ela sobre o resultado do pedido de hábeas corpus ao STJ.  Em Tremembé, a presença da madrasta, não chega a incomodar a população, mas sim alguns vizinhos da penitenciária, que fica no centro da cidade, ao lado da igreja de Bom Jesus de Tremembé. "Eu preferia que ela fosse embora daqui", disse Roberto dos Santos, morador próximo à penitenciária. "Não faz diferença pra nossa rotina, mas de alguma forma, divulga negativamente o nome da cidade".

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