Irmãos mortos na Cantareira serão enterrados na zona norte

Polícia tem retrato-falado do suspeito de ter assassinado garotos; ele é conhecido como 'irmão do Mudinho'

Gustavo Miranda, do estadao.com.br, e Gilberto Amendola, do JT,

26 de setembro de 2007 | 09h59

Os corpos dos irmãos Francisco Ferreira de Oliveira Neto, de 14 anos, e Josenildo José de Oliveira, de 13, deverão ser enterrados por volta das 14 horas desta quarta-feira, no Cemitério Municipal da Cachoeirinha, na zona norte de São Paulo. Os dois foram encontrados mortos, na terça-feira, na Serra da Cantareira, na zona norte de São Paulo.   Os primeiros indícios mostram que os garotos, desaparecidos desde sábado, foram torturados e sofreram abuso sexual. Um deles tinha várias perfurações no corpo, provavelmente provocadas por uma lança de madeira.   Segundo familiares dos garotos, a família pretendia fazer o enterro deles no Cemitério do Campo Grande, também em Santo Amaro, mas como não conseguiram os R$ 1.500 necessários para o pagamento do serviço funerário, o funeral será realizado no cemitério municipal, que fica próximo ao Largo XIII.   Descrição do suspeito   O principal suspeito do assassinato dos irmãos é conhecido como "irmão do Mudinho". A informação foi passada pelos garotos que conseguiram escapar do suposto maníaco ainda na manhã de sábado. O "irmão do Mudinho" seria um homem negro, de cabelo raspado e com uma cicatriz no rosto. Segundo relatos da vizinhança, o Mudinho e seu irmão são moradores do Alto do Peri, mas freqüentam a região há muito tempo. Eles eram vistos quase todos os dias andando de bicicleta pelo Jardim Paraná.   Segundo policiais, esse trecho da Serra da Cantareira é freqüentado por assassinos, ladrões de automóvel e usuários de drogas. Além disso, indícios da prática de magia negra foram encontrados em outros crimes na região. "Não é o caso dos irmãos. Mas quase todos os meses, entre os dias 20 e 25, a gente encontra um corpo de criança por aqui. Eles sempre estão perto de cruzes, penas e bichos mortos. Tem gente fazendo magia negra nesse lugar", afirmou um policial que pediu para não ser identificado.    Família abalada   Quando a polícia encontrou o corpo de Francisco, o padrasto dos meninos, José Justino da Silva, foi o primeiro a ser avisado. Mesmo abalado, ele pediu aos homens do COE que sua esposa, Rita de Oliveira, 31 anos, fosse poupada. "Ela tem problema de coração. É melhor não contar nada agora."   A solução foi armar um pretexto para levá-la ao hospital Cachoeirinha - e só depois dar a notícia da morte de seus filhos. Uma equipe de policiais disse que um garoto tinha aparecido no hospital e que Rita precisaria ir até lá para reconhecê-lo. Chegando ao local, Rita foi imediatamente medicada. Só depois de uma hora, um familiar deu a notícia.   Mesmo com os calmantes, Rita entrou em pânico. "O quê? Eu não acredito. Por que meu filho ? É sempre assim. Os bons morrem e os maus ficam vivos. Os bons morrem e os maus sempre ficam vivos." Amparada por familiares, Rita não conseguia falar mais nada. A mulher apenas implorava por justiça.   A notícia do segundo corpo, o de Josenildo, chegou mais tarde. Dessa vez, o padrasto também desabou. "Era um menino tão bom. Ele quase não saía de casa. Era um garoto muito querido por toda a vizinhança", disse Justino.   Com a confirmação dos assassinatos, a vizinhança se agitou. "Não adianta pegar um cidadão desse e prender. Prender pra quê? Pra fugir de novo? Nós mesmos temos que pegá-lo. Todo mundo que tem filho no Jardim Paraná está com medo", afirmou um vizinho que não quis se identificar. "Esse mato é um entra-e-sai de gente. Já teve estupro e assassinato aqui. Alguém precisa fazer alguma coisa", comentou outra vizinha.   Segundo os familiares, os garotos teriam entrado na mata para apanhar uma jaca. A mãe não se opôs à aventura dos meninos, já que as crianças da região costumam brincar (apanhar frutas, nadar e pescar em dois laguinhos) todos os dias naquele local. "Só o Josenildo é que não ia muito", disse o padrasto.   No sábado à tarde, os próprios moradores entraram na mata para procurar os garotos. Nenhuma pista foi encontrada por eles. A polícia foi acionada apenas às 23h de sábado. As buscas começaram no domingo pela manhã e seguiram durante toda a segunda-feira. Equipes do COE passaram horas na mata fazendo um 'pente-fino' na região. Até ontem de manhã, acreditava-se em acidente e ainda havia esperança de encontrá-los vivos.

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