Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Irmão de Suzane von Richthofen quebra silêncio de 12 anos

Andreas von Richthofen fala à 'Rádio Estadão', classifica crime de ‘nojento’ e defende o pai, acusado de desvio de dinheiro

Sérgio Quintella, O Estado de S. Paulo

06 de março de 2015 | 12h05

Atualizado às 8h30 do dia 7/3

SÃO PAULO - Andreas von Richthofen, de 27 anos, quebrou o silêncio 12 anos depois do assassinato dos pais, e deu uma entrevista com exclusividade à Rádio Estadão nessa sexta-feira, 6. Ele defendeu o pai, Manfred von Richthofen, da acusação de que teria desviado dinheiro da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) e não quis falar sobre a irmã, Suzane. Mas, em carta, ele classificou o crime como “nojento” e chamou a irmã e os outros dois acusados de assassinos.

Quando os pais Manfred e Marísia foram mortos na casa onde moravam, em 2002, Andreas tinha 15 anos. Hoje, é formado em Farmácia e doutor em Química Orgânica pela Universidade de São Paulo (USP), continua loiro, mas com cabelos e barba mais escuros.
Suzane, que na época do crime tinha 19 anos, foi condenada a 38 anos e seis meses de prisão, assim como o então namorado dela, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Christian.

Sob o argumento de que precisava esclarecer “algumas coisas”, Andreas divulgou uma carta na qual pede esclarecimentos públicos sobre as acusações do procurador de Justiça Nadir de Campos Júnior em relação ao seu pai.

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Na última segunda-feira, o procurador afirmou no programa SuperPop, da RedeTV!, que Manfred mantinha contas na Suíça e que a beneficiária era Suzane. O dinheiro seria fruto de supostos desvios ocorridos nas obras do Trecho Oeste do Rodoanel.

“Se há contas no exterior, que o senhor apresente as provas, mostre quais são e onde estão, pois eu também quero saber e entendo que sua posição e prestígio o capacitam plenamente para tal”, escreveu Andreas. “Se isso não passar de boatos maliciosos e não existirem provas, que o senhor se retrate e se cale, para não permitir que a baixeza e crueldade deste crime manche erroneamente a reputação de pessoas que nem aqui mais estão para se defender.”

Sem responder a perguntas sobre a irmã, presa na Penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo, Andreas dá sinais de que nunca vai perdoá-la. Ao se referir ao procurador, disse que entende “a raiva e a indignação contra os três assassinos”. “Muito da sociedade compartilha desse sentimento. Eu também. É nojento”, disse sobre o crime.

Peso. O irmão de Suzane afirmou ainda à Rádio Estadão que não planeja ter um filho no momento, pois ser pai exige muita responsabilidade, e que pensa em deixar o Brasil, já que seu sobrenome tem “muito peso” no País. Ele disse que se sente ferido toda vez que a imprensa divulga informação sobre a morte dos pais, sobre os assassinos Daniel e Cristian Cravinhos ou os desdobramentos do caso.

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