Irmão de atropelado incentiva uso de bike

Rapaz comprou bicicleta especialmente para participar de marcha na Paulista em protesto contra acidente que decepou braço de ciclista

JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

18 Março 2013 | 02h02

Bruno Santos Souza, de 23 anos, irmão do ciclista David Santos Souza, de 21 - que teve o braço decepado dia 10 ao ser atropelado na Avenida Paulista -, comprou uma bicicleta no sábado só para participar do protesto contra o acidente que aconteceu ontem na avenida. "É meu jeito de incentivar as pessoas e de dar mais força a tudo isso. A solução não é largar a bike e sim respeitar um ao outro", afirmou Bruno.

Durante o trajeto, o jovem ajudou a fechar as vias para que os manifestantes pudessem passar por cruzamentos. A primeira bicicleta de David foi um presente de Bruno, que, por ter mudado de emprego, não precisava mais da bike para ir trabalhar.

Cerca de cem pessoas, entre ciclistas e parentes de David, fecharam parcialmente a via, na região central da capital, para protestar contra o atropelamento.

A manifestação começou por volta das 17 horas na Praça do Ciclista, entre a Paulista e a Rua da Consolação, e terminou na porta do edifício onde mora o prefeito Fernando Haddad (PT), no Paraíso, zona sul da capital. O filho do prefeito, Frederico Haddad, recebeu os manifestantes e prometeu que haverá uma audiência com entidades que representam os ciclistas até o fim desta semana.

Na frente do grupo, a mãe de David, Antônia Ferreira Santos, levava um cartaz com os dizeres "Álcool e volante: não tem direção". Emocionada, disse que o protesto era mais uma maneira de dar força a David e à família. "Essa passeata mostra que tem muita gente torcendo pelo meu filho", disse Antônia.

Chuva. Nas quase duas horas de caminhada, que aconteceu debaixo de chuva e vento, os ciclistas gritavam frases de ordem como "mais amor, menos motor" e "bicicleta sim, carros não".

O engenheiro Ricardo Oliveira, de 55 anos, reclamou do pequeno número de participantes na passeata. "Toda a sociedade deveria estar aqui protestando. Devemos cobrar uma punição. Não precisamos de mais leis, precisamos apenas que as que já temos sejam cumpridas."

A marcha parou no ponto em que David foi atropelado, onde foi colocada uma placa com um braço de plástico com manchas vermelhas que simulam sangue.

Preso. O estudante de psicologia Alex Siwek, de 22 anos, o motorista que atropelou David, foi transferido na sexta-feira para a Penitenciária de Tremembé, no interior do Estado.

Segundo seu advogado, Pablo Naves Testoni, amanhã a defesa vai entrar com pedido de habeas corpus do estudante.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.