Irmão acredita na inocência de Gil Rugai

3º dia de júri trouxe testemunhas de defesa, que ainda teve contador da empresa do pai

Adriana Ferraz e Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2013 | 02h08

SÃO PAULO - Leo Grego Rugai, de 27 anos, disse nessa quarta-feira, 20,  que acredita na inocência de seu irmão, Gil Rugai, de 29, acusado de matar a tiros seu pai e sua madrasta, em 28 de março de 2004. Em depoimento no terceiro dia do júri de Gil, ele saiu em defesa do irmão. "Foi uma coisa de olho no olho. Ele me garantiu (que não matou Luiz Carlos Rugai, de 40 anos, e Alessandra Troitino, de 33). Olhei no dele e acreditei", disse Leo. Até as 20h30 de ontem, ele ainda prestava depoimento à Justiça. A sentença deve sair entre esta quita e sexta-feira.

Testemunha de defesa no julgamento realizado no Fórum da Barra Funda, zona oeste de São Paulo, Leo contou também que não sabe quem matou seu pai e sua madrasta. Afirmou também desconhecer a razão pela qual os dois foram assassinados. Leo contou que esteve com Luiz Carlos e Alessandra, na casa deles, em Perdizes, onde morreram, dois dias antes de eles serem assassinados. Segundo ele, não ouviu nenhum comentário sobre um eventual desentendimento com seu irmão.

Vestido com uma calça social bege e moletom preto, o irmão de Gil disse que continuou convivendo com ele depois do crime. Acompanhou suas tentativas de prestar vestibular para Medicina, em Santa Maria e no Rio. Gil, porém, não passou nos processos seletivos. Leo também foi fiador da casa que Gil alugou no Rio Grande do Sul. Perguntado se ambos ainda falavam sobre o crime, ele disse que não. "Não havia motivo", disse.

Leo reforçou no depoimento que Gil, a madrasta e o pai se relacionavam bem. Ainda afirmou que se soubesse que Gil tivesse matado o pai, ele ajudaria na contratação de um assistente de acusação para processar seu irmão. A respeito das armas compradas pelo irmão, ele disse que Gil tinha armas de chumbinho e que desde pequeno se interessava pelo esporte. Sobre os hábitos de Gil, classificou o irmão como "um figurinha"que costumava usar "suspensório e sobretudo".

Depoimentos. Primeira testemunha ouvida nessa quarta, o contador Edson Tadeu de Moura, que prestava serviços para a empresa de Luiz Carlos, disse desconhecer qualquer desfalque na produtora de vídeo da vítima, a Referência Filmes. A afirmação do contador vai contra o depoimento do instrutor de voo de Luiz Carlos na época do crime, Alberto Bazaia Neto, que reforçou os argumentos da acusação para incriminar Gil. Ouvido como testemunha terça-feira, ele afirmou que a vítima contou que Gil havia roubado o dinheiro da empresa, o que desencadeou atritos entre pai e filho.

Segundo Moura, apenas uma perícia contábil poderia afirmar se o roubo aconteceu e sua autoria. O contador, porém, disse que é praxe, em empresas familiares, que pessoas assinem em nome de outras. Ao ser indagado se Gil tinha autorização para assinar documentos ou cheques em nome do pai, Moura não soube responder.

Também foram arroladas como testemunhas da defesa o jornalista Valmir Salaro, o vigia Valeriano dos Santos e o perito Ricardo Salada.

Interrogatório. Quase nove anos após a morte do pai e da madrasta, Gil deve finalmente contar sua versão hoje à tarde. Ele deve dizer que não trabalhava nas finanças da empresa do pai na época do crime, que não brigou com ele dias antes de sua morte e que é inocente.

No plenário, defesa e acusação se dividirão entre dois perfis: o jovem pacato, que amava o pai e está no banco dos réus apenas por ser esquisito, e o filho perigoso, com alto poder de persuasão que premeditou o crime por dinheiro. Quando foi preso pela primeira vez, Gil disse ser "absurda" a desconfiança contra ele.

Classificado como esquisito pelos próprios defensores, Gil guardava, na época do crime, seringas com sangue em seu quarto. Os objetos foram apreendidos pela polícia com símbolos nazistas, uma nota fiscal que revelava a compra de um coldre - espécie de cinto usado para segurar armas - e cápsula de bala compatível com a pistola usada para assassinar as vítimas, uma semiautomática calibre 380.

Todos esses elementos serão citados pela acusação para definir o perfil do réu. Além dos objetos incomuns, o promotor Rogério Zagallo deve discorrer sobre o fato de Gil ter criado, meses antes do crime, uma empresa que concorreria com a produtora de vídeo do pai.

Atualmente, Gil mora com a avó materna, que sofre de mal de Alzheimer. Não trabalha nem estuda formalmente.

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