Irã apoia diplomata: 'Foi mal-entendido'

Embaixada alega 'diferenças nos comportamentos culturais' e critica cobertura da imprensa sobre conselheiro acusado de pedofilia

BRUNO RIBEIRO, LÍGIA FORMENTI, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2012 | 03h03

A Embaixada da República Islâmica do Irã no Brasil saiu em defesa do conselheiro Hekmatollah Ghorbani, de 50 anos, acusado de abusar sexualmente de quatro meninas, de 9 a 15, em um clube de Brasília. Disse que o caso foi um mal entendido decorrente das diferenças culturais entre os dois países. Escrita em um português confuso, a nota também critica o trabalho da imprensa na cobertura do caso, ocorrido no fim de semana.

Notificado pela Polícia Civil, o Itamaraty ouviu familiares das quatro meninas. Segundo a mãe de uma delas, o diplomata acariciou partes íntimas das garotas na piscina. Ele chegou a ser detido, mas foi liberado por ter imunidade. Casado e pai de dois filhos, Ghorbani exercia havia dois anos o cargo de conselheiro, a terceira maior função na hierarquia da representação iraniana. Segundo informações extraoficiais, ele já deixou às pressas o Brasil.

Em nota, a embaixada diz que, "em virtude de algumas inverdades levantadas sobre a atitude do diplomata relacionada a algumas cidadãs brasileiras", é necessário esclarecer que "uma das causas mais importantes sobre as virtudes e as diferenças entre as culturas é o mal entendimento e as consequências decorrentes que isso pode causar". "Sendo nas demais sociedades, essas virtudes e valores relativos podem provocar dificuldades e uma série de incompreensão para as pessoas que estão vivendo num ambiente alienígena às suas características culturais (sic)." Mas o texto não explica qual foi o mal entendido nem detalha o que ocorreu na piscina segundo a versão do diplomata.

O texto também critica a imprensa brasileira. "O papel e uma reação midiática não propícia e provocante pode ajudar ainda a criação do cinismo na sociedade brasileira, que possui identidades culturais diferentes, introduzindo uma polêmica gratuita, sobretudo quanto fosse tendencioso politicamente (sic)", continua a nota. "Estimular a sensação pública, por sua vez, irá desviar a atenção para que possa procurar a veracidade dos fatos (...) Nesse sentido, também expressamos energicamente nosso protesto e indignação relativo ao tratamento e na maneira de como a mídia geralmente tendenciosa sobre as coisas relativas a alguns países, entre eles o Irã, tem encarado com a cobertura dessa notícia (sic)."

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