IPT vai analisar laje de prédio que desabou em São Bernardo

Polícia quer saber se obra em edifício provocou queda que matou duas pessoas; enfermeira foi enterrada ontem

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2012 | 03h02

Pedaços da laje onde foi feita a obra contra infiltração no Edifício Senador, no centro de São Bernardo do Campo, serão enviados para análise no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Laudos deverão apontar o motivo do desabamento de segunda-feira, que matou Júlia Moraes, de 3 anos, e a enfermeira Patrícia Alves Farias de Lima, de 26.

A enfermeira foi velada em Ribeirão Pires, na região do ABC. O corpo seguiu para o Cemitério São Sebastião, na cidade vizinha, de Rio Grande da Serra, onde mora a maior parte da família de Patrícia. As cerimônias em cidades diferentes respeitaram um pedido que ela tinha feito dias antes, em tom de brincadeira. Ela disse que não gostaria, em hipótese nenhuma, que seu velório fosse em Rio Grande da Serra.

A enfermeira é descrita como uma mulher que era bastante presente na família e dedicada ao trabalho. "Na semana que vem, ela começaria a fazer pós-graduação. Era cheia de planos, queria trabalhar no Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência)", contou Andréia Mendes, tia de Patrícia. Outra tia, Adriana Paixão, conta que a família estava toda reunida no sábado quando passou um carro de funerária. "Patrícia disse: 'Olha, já veio me buscar'. Parecia uma premonição."

Causa. A polícia pediu análise da laje que recebeu a obra contra infiltrações para saber mais sobre a resistência do materiale se estava corrompida. "Trabalhamos com hipótese de infiltração associada a outras causas", disse o delegado Victor Lutti. O peso de uma manta asfáltica sobre a laje e a instalação de um ralo também serão investigados.

O síndico Lauro Salera negou ontem que a causa do desabamento esteja relacionada ao reparo. "Ele passou por teste de vedação e não apresentou qualquer tipo de problema."

A Defesa Civil aguarda a perícia para definir quando o edifício será liberado. A avaliação é de que as estruturas não estão condenadas.

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