Ipiranga: 4 vezes mais chuva em 1 mês

Em janeiro, bairro registrou 549 mm, contra 131 mm de média dos últimos oito anos; foi o maior aumento proporcional na cidade

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2011 | 00h00

Em janeiro, choveu quatro vezes mais que o normal no Ipiranga, zona sul de São Paulo. A região é onde o índice pluviométrico mais cresceu proporcionalmente e a quarta onde mais choveu. Os dados são do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), que mostra o ranking de chuvas em 31 estações meteorológicas. Em cinco delas, choveu mais de 500 milímetros - quando a média da cidade é 239 mm. A medição foi feita do dia 1.º ao 30.

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O recorde absoluto de temporais foi em Aricanduva/Vila Formosa, na zona leste, onde choveu 622,2 mm em 30 dias. Em segundo lugar veio a Vila Prudente, também na zona leste, com 557,7 mm de chuva e a Vila Maria/Vila Guilherme, na zona norte, em terceiro, com 554 mm. Todos superaram em mais de três vezes as próprias médias históricas.

A discrepância do Ipiranga é que lá, historicamente, não é um bairro tão chuvoso assim: a média dos últimos oito anos para a região é de 131 mm, mas neste ano choveu 549 mm, mais que o quádruplo do normal.

Centro. No Bom Retiro, região central, onde o nível de chuva nesse período é normalmente alto - são 224,8mm de média -, ainda assim choveu mais que o dobro: 502,mm. Em uma comparação por zonas, o centro ficou com o maior índice de chuvas (483,7 mm), seguido da zona oeste (445 mm) e da zona norte (427,4 mm), batendo até a zona leste (412 mm). Na zona sul foi onde menos choveu (346,2 mm).

"No centro, além de sempre ter chovido bastante, as três estações são bem próximas - Bom Retiro, Consolação e Sé", afirma o meteorologista Adilson Nazário, do CGE.

Urbanização. Para a professora do Instituto de Geociências da Universidade de Campinas, Luci Hidalgo Nunes, a diferença de precipitação em cada bairro paulistano impressiona. "Não tem como fugir: é efeito da urbanização. Os bairros que registraram maior precipitação, pode perceber, também são os que têm pouca área verde e são extremamente adensados", avalia. "Por isso, sofrem muito mais influência dos materiais urbanos, asfalto, concreto, poluição dos automóveis", explica.

Em regiões pouco arborizadas a formação de ilhas de calor fica mais evidente, e o adensamento populacional - que ocupa potenciais áreas verdes com prédios e avenidas de grande circulação - contribui para o aquecimento do ar e, consequentemente, para a formação de nuvens e chuva.

Parâmetros. A localização das estações cria parâmetros distintos - apenas o CGE faz medições por área e calcula a média da cidade. Do dia 1.º ao 30, o órgão contabiliza um acumulado de 405,9 mm de chuva na cidade inteira - o recorde para o CGE é de 2010, com 455,3 mm no período.

Para o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), cujo ponto de medição fica em Santana, zona norte, esse já é o janeiro mais chuvoso desde 1943: no dia 25 já havia caído 493,7 mm. "As chuvas da semana passada se concentraram muito na zona norte e no centro. Isso deve ser levado em consideração", afirma o meteorologista do Inmet Marcelo Schineider.

Já a estação do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP fica na Água Funda, zona sul. Desde 1993, a maior chuva registrada lá foi a de janeiro do ano passado: 653,2 mm.

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