Iphan tomba encontro de rios no Amazonas

Instituto julgou improcedentes ações contrárias movidas por advogados; [br]monumento aos pracinhas no Rio também passa a ter preservação federal

Gabriela Moreira / RIO, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2010 | 00h00

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou ontem, por unanimidade, o tombamento do Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões (a pororoca) no Amazonas, e do Monumento aos Mortos da 2.ª Guerra Mundial, no Parque do Flamengo, no Rio. Ações de escritórios jurídicos que pediam a impugnação do tombamento do encontro foram consideradas improcedentes.

Desde o dia 11, a preservação dos rios já valia provisoriamente, mas dois escritórios com sede no Rio questionaram a medida. Segundo o Estado apurou, uma das queixas veio de uma empresa que constrói o Porto das Lajes, a 2,4 km do fenômeno natural. Segundo o diretor de patrimônio do Iphan, Dalmo Vieira Filho, alegava-se o esvaziamento econômico da região. "Diziam que a decisão iria inviabilizar a construção de equipamentos portuários, mas o tombamento só impede ações que provoquem impactos danosos. O encontro das águas é um dos lugares míticos do Brasil. São dois biomas que se encontram", defendeu.

Pracinhas. O historiador Milton Teixeira comemorou o tombamento do Monumento aos Mortos da 2.ª Guerra. "É um dos mais belos marcos da arquitetura moderna do Rio. É justíssima a preservação", disse. O monumento aos pracinhas, como é conhecido, é formado por três obras: uma escultura de metal que retrata a Força Aérea Brasileira (FAB), outra de granito que homenageia os pracinhas e um painel de azulejos do artista plástico Anísio Medeiros lembrando os militares e os civis que morreram em operações navais.

No subsolo, há um cemitério onde estão enterrados os corpos de 468 combatentes. O projeto é de 1955, dos arquitetos Marcos Konder Netto e Hélio Ribas. Segundo Teixeira, a escolha dos arquitetos foi feita no governo do presidente João Café Filho por concurso público. "Eles eram de esquerda, o que desagradou ao Exército, e só venceram porque o concurso era anônimo. As inscrições eram com pseudônimo", comentou o historiador.

No monumento há um museu composto por objetos e equipamentos usados pela Força Expedicionária Brasileira e outros apreendidos de soldados alemães. "É um cemitério que passa ideia de vida e beleza, não de sofrimento", ressaltou o historiador, sobre a obra.

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