Iphan pede retirada de busto gigante de Getúlio no Rio

Escultura de três metros de altura ganhou apelido popular de ''Cabeção''; discussão em relação à obra já é bem antiga

Felipe Werneck, O Estado de S.Paulo

18 Fevereiro 2011 | 00h00

Instalado em 2004 numa praça da Glória, zona sul do Rio, o busto de bronze do ex-presidente Getúlio Vargas (1882-1954) deve ser retirado pela prefeitura do Rio, segundo determinação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A escultura, que ganhou o apelido popular de "Cabeção", tem 3 metros de altura e fica sobre uma base de 2,5 metros.

A polêmica relacionada à obra é antiga, mas só agora o superintendente do órgão federal no Rio, Carlos Fernando Andrade, assinou um despacho determinando sua retirada da Praça Luís de Camões. "O busto é horroroso. Não há quem concorde que aquilo é bonito", declarou. "Tive uma oportunidade burocrática: o processo de Habite-se passou pelas minhas mãos e achei que deveria fazer isso pela cidade."

O ex-prefeito Cesar Maia (DEM) disse considerar "estranho" que o assunto volte à tona quase oito anos após o início da construção, em 2003. "Durante oito anos estava tudo bem. Será alguma coisa da política?" Autor do embargo de obras que o ex-prefeito pretendia realizar na Marina da Glória para os Jogos Pan-americanos em 2007, Andrade afirmou que a questão "não é política, é paisagística".

Segundo Andrade, o memorial foi aprovado em 2003, mas o busto não constava do projeto original. Maia disse que a obra foi resultado de concurso público feito no governo Leonel Brizola. "Considero que o ideal do memorial, de preservar a História e servir de polo cultural, sempre foi prejudicado pela polêmica em torno da escultura", afirmou o arquiteto Henock de Almeida, vencedor do concurso.

A prefeitura informou que só comentará o caso após receber pedido formal do Iphan. Além do busto, com um trecho da carta-testamento, o projeto tem um monumento de mármore de 17,5 metros sobre espelho d"água e memorial com informações sobre Vargas. No subsolo, há cripta, auditório, cinema e café. A obra custou R$ 5.978.168,41.

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