Investigador mata homem após discussão

Investigador mata homem após discussão

Vítima teria entrado sem querer no condomínio de policial. Ele afirma que deu tiro de advertência depois de ser agredido

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

30 Março 2010 | 00h00

Um tiro de uma pistola calibre 45 empunhada por um policial acabou com a vida do operador de máquinas Humberto Márcio Pedroso de Sibia. A morte ocorreu à 0h30 de domingo em um condomínio em Ribeirão Pires, na Grande São Paulo. Síbia foi baleado na frente da mulher e do filho de 5 anos. Teria entrado sem querer no condomínio onde morava o policial, que tentou pará-lo. Em meio à discussão que se seguiu, houve o disparo.

O investigador M.H.A.S., que trabalha na Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de São Bernardo do Campo, apresentou-se espontaneamente à delegacia da cidade. Entregou a arma do crime e disse que Síbia e outros dois homens tentaram agredi-lo. Disse que apanhou a pistola para se defender e teria tentado fazer um disparo de advertência para o alto, mas a bala acertou o maxilar da vítima.

Segundo a apuração da Corregedoria da Polícia Civil, havia uma festa no condomínio, que fica na Estrada da Cooperativa. A suspeita é que operador de máquinas tentou cortar caminho por dentro do condomínio. Ele teria aproveitado a abertura do portão para um convidado da festa. Como não existe outra saída do lugar, Síbia teve de voltar à portaria. Como teria acelerado várias vezes o veículo, moradores do lugar chamaram o investigador. Este disse que o motorista desceu de seu Uno e, acompanhado por dois outros homens, tentou agredi-lo.

Com base na versão do policial, a equipe de plantão da delegacia da cidade foi ao condomínio, mas o operador de máquinas e sua família não estavam mais lá - eles teriam levado a vítima para um hospital. Os tais amigos que acompanhariam Síbia também não foram encontrados. Depois de ouvir parentes e testemunhas, a delegacia fez um boletim de ocorrência registrando o caso como invasão de domicílio, resistência e lesão corporal seguida de morte.

Ao ser informada ontem do caso, a Corregedoria decidiu assumir as investigações. Uma equipe da Divisão de Operações Policiais (DOP) foi despachada para Ribeirão Pires a fim de fotografar o local do crime e ouvir de novo as testemunhas. Por enquanto, elas disseram que o operador de máquinas estava com dois amigos. Para os corregedores, ainda é cedo para saber o que de fato houve no condomínio.

PARA LEMBRAR

Policiais de folga mataram seis em 2009

No ano passado, 25 pessoas foram mortas por policiais civis no Estado de São Paulo. Desse total, 19 morreram em confrontos com a polícia e 6 foram vítimas de policiais civis em folga.

Só na Região Metropolitana de São Paulo foram 18 mortos, 3 desses por policiais civis que não estavam em serviço.

Esses números foram maiores no ano retrasado. Em todo Estado, 39 pessoas foram mortas por policiais civis (26 em serviço e 13 durante folga), o que representa uma redução de 35,9% entre 2008 e 2009.

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