Investigação em Paraisópolis não avança

Lei do silêncio impera na favela e polícia admite que está na estaca zero

Fábio Mazzitelli e Josmar Jozino, do Jornal da Tarde,

05 Fevereiro 2009 | 02h15

Mesmo com um aparato policial de cerca de 400 homens, 100 carros, 20 cavalos, 4 cães e 1 helicóptero, a polícia esbarra na "lei do silêncio" dos moradores de Paraisópolis sobre o conflito de segunda-feira e admite que não saiu do zero nas investigações sobre o caso, que deixou seis feridos e fez a Polícia Militar tomar a favela. Em nota, afirma que manterá a ocupação na comunidade.   Veja também: Polícia recaptura mais um foragido em Paraisópolis Polícia aumenta efetivo na favela de Paraisópolis Polícia apura se ordem para conflito veio da prisão Paraisópolis cresceu ignorada pelo poder público Paraisópolis passa por mudança  TV Estadão - O confronto com a PM  Galeria de fotos do confronto em Paraisópolis   Todas as notícias sobre o confronto em Paraisópolis   Até as 19 horas de quarta-feira, dois fugitivos da Fundação Casa foram recapturados e um homem com 1,7 quilo de maconha, 72 papelotes de cocaína e 75 comprimidos de ecstasy, preso. Na terça-feira, 3, por volta das 23h30, a PM encaminhou à Fundação Casa dois menores que haviam roubado uma moto na Avenida Giovanni Gronchi.   A principal hipótese é de que a origem do tumulto esteja relacionada com o detento Francisco Antônio Cesário da Silva, o Piauí, de 32 anos, que teria dado da prisão o sinal verde para os atos de vandalismo – seu cunhado Antonio Galdino de Oliveira foi preso no domingo. Piauí vai ser ouvido no inquérito policial. A Polícia Civil requisitou aos prédios vizinhos as fitas com possíveis imagens das cenas de violência em Paraisópolis para tentar identificar os autores dos disparos que feriram quatro PMs e também as pessoas que promoveram vandalismo.   A delegada Silvana Sentieri Françolin, titular do 89º DP (Portal do Morumbi), que preside o inquérito policial, tomou na quarta-feira o depoimento de dois dos cinco feridos no tumulto: o comerciante Derval Olímpio da Silva, de 44 anos, e o ajudante de pedreiro Marcione dos Santos, de 21 anos. Ambos se recuperam de ferimentos a bala.   Cinco integrantes da comunidade foram na quarta-feira à Ouvidoria das Polícias para reclamar de excessos na abordagem policial. "Eu presenciei um policial gritando e xingando um cidadão que estava sendo revistado, de mãos na parede", afirma o radialista José Lopes, de 56 anos.   O padre Luciano Borges Basílio, da Paróquia São José, localizada na favela, também reclamou da truculência da Polícia Militar. O religioso disse que, mesmo usando roupa eclesiástica, foi maltratado na quarta-feira de manhã numa abordagem dos homens do Regimento da Cavalaria.

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