Investigação em Paraisópolis não avança

Lei do silêncio impera na favela e polícia admite que está na estaca zero

Fábio Mazzitelli e Josmar Jozino, de O Estado de S. Paulo,

04 Fevereiro 2009 | 21h32

Mesmo com um aparato policial de cerca de 400 homens, 100 carros, 20 cavalos, 4 cães e 1 helicóptero, a polícia esbarra na "lei do silêncio" dos moradores de Paraisópolis sobre o conflito de segunda-feira e admite que não saiu do zero nas investigações sobre o caso, que deixou seis feridos e fez a Polícia Militar tomar a favela. Até as 19 horas de ontem, dois fugitivos da Fundação Casa foram recapturados e um homem com 1,7 quilo de maconha, 72 papelotes de cocaína e 75 comprimidos de ecstasy, preso.  Veja também: Polícia aumenta efetivo na favela de ParaisópolisPolícia apura se ordem para conflito veio da prisãoParaisópolis cresceu ignorada pelo poder públicoParaisópolis passa por mudança TV Estadão - O confronto com a PM Galeria de fotos do confronto em Paraisópolis  Todas as notícias sobre o confronto em Paraisópolis A principal hipótese é que a origem do tumulto esteja relacionada com o detento Francisco Antônio Cesário da Silva, o Piauí, de 32 anos, que teria dado da prisão o sinal verde para os atos de vandalismo - seu cunhado Antonio Galdino de Oliveira foi preso no domingo. Piauí vai ser ouvido no inquérito policial. A Polícia Civil requisitou aos prédios vizinhos as fitas com possíveis imagens das cenas de violência em Paraisópolis para tentar identificar os autores dos disparos que feriram quatro PMs e também as pessoas que promoveram vandalismo.  A delegada Silvana Sentieri Françolin, titular do 89º DP (Portal do Morumbi), que preside o inquérito policial, tomou ontem o depoimento de dois dos cinco feridos no tumulto: o comerciante Derval Olímpio da Silva, de 44 anos, e o ajudante de pedreiro Marcione dos Santos, de 21 anos. Ambos se recuperam de ferimentos a bala. Cinco membros da comunidade foram ontem à ouvidoria das polícias para reclamar de excessos na abordagem policial. "Nossa preocupação é que tem muita polícia dentro da comunidade. Se foi necessário, foi no primeiro dia. Há alguns excessos na abordagem. Eu presenciei um policial gritando e xingando um cidadão que estava sendo revistado, de mãos na parede", afirma o radialista José Lopes, de 56 anos. O padre Luciano Borges Basílio, da Paróquia São José, localizada na favela, também reclamou da truculência da Polícia Militar. O religioso disse que, mesmo usando roupa eclesiástica, foi maltratado ontem de manhã em abordagem dos homens do Regimento da Cavalaria.  

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