Investigação da PF cita novo titular de Transportes

Paralisadas em janeiro por liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ), as investigações da Operação Castelo de Areia da Polícia Federal (PF) citavam o nome do futuro secretário de Transportes de São Paulo, Marcelo Cardinale Branco. Elas envolviam a construtora Camargo Corrêa por supostos crimes financeiros, doações ilegais a partidos e a vários políticos. A empresa negou todas as acusações da PF, mas, como nos documentos havia referências a secretários municipais, o Ministério Público Estadual também abriu apuração sobre os documentos da PF e depois trancou a ação.

, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2010 | 00h00

O STJ deu liminar para trancar a investigação por considerar que ela nasceu de forma ilícita ? com base em denúncia anônima. Segundo o relatório do delegado da PF Otavio Margonari Russo, em 28 de abril de 2008 Branco teria recebido R$ 500 mil destinados ao partido Democratas. Esse dinheiro teria vindo de pagamentos feitos pela Prefeitura à construtora pela obra da Ponte Jurubatuba, localizada na zona sul da capital.

"Chama atenção a informação manuscrita de que já teria sido pago o valor de R$ 500.000 em 28/04/2008. Há citação dos nomes de Marcelo Branco, que é Secretário de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) da Prefeitura de São Paulo", diz a página 1.511 do relatório da PF. A Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros aponta que "há ainda menção a pagamentos relativos a esta obra em outros documentos".

Na planilha obtida pela Polícia Federal estão registradas medições da obra e supostos porcentuais que seriam repassados entre setembro de 2007 e abril de 2008. O total a ser repassado seria de R$ 602 mil. "A tabela supra apresenta o valor de R$ 602 mil que aparentemente representa cerca de 3% do total dos valores recebidos pela obra a partir de medições de setembro/07 a janeiro/08", aponta a PF. Ontem, Branco não foi localizado e a Prefeitura não se pronunciou.

As obras do Complexo Jurubatuba foram iniciadas em 2004, na administração de Marta Suplicy (PT), e concluídas em maio de 2008. Custaram R$ 146,4 milhões ? R$ 105 milhões deles pagos à construtora Camargo Corrêa na administração de Gilberto Kassab (DEM).

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