Inverno começa hoje, com muita chuva

Meteorologistas alertam que estação deve alternar ondas de frio e calor, mesmo no Sul

ELDER OGLIARI / PORTO ALEGRE, PORTO ALEGRE, ELDER OGLIARI / PORTO ALEGRE, PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h00

O inverno começa às 20h09 de hoje no Brasil e deve alternar ondas de muito frio com períodos de calor. Nos próximos dias, uma forte frente fria provoca bastante chuva no Sul, em São Paulo, em Mato Grosso do Sul e no sul dos Estados do Rio e de Minas. Na maior parte do País, ainda vai fazer bastante frio.

Mas, segundo a empresa Climatempo, não será esse o padrão da temporada. Na verdade, a expectativa é de um inverno típico, sem a influência dos fenômenos El Niño e La Niña. "Nos períodos de muito frio, podemos ter condições extremas, até mesmo com neve", prevê o meteorologista Luiz Fernando Nachtigal, da MetSul Meteorologia, que também admite "temperatura elevada" nos intervalos de calor. Na Região Sul, é provável que períodos quentes evoluam para dias chuvosos, seguidos da chegada de massas de ar polar que tornam os dias frios e secos. Nessas condições, o fenômeno da geada será comum, enquanto o da neve será raro.

As áreas mais altas dos três Estados - como os Campos de Cima da Serra do Rio Grande do Sul e o Planalto Sul de Santa Catarina - são as que enfrentarão frio mais intenso e também as que normalmente já recebem "invasões" de turistas em busca da neve, da sensação térmica rigorosa, limitada ao Sul, e dos prazeres gastronômicos da estação. Por isso, há a disputa pelo título de lugar mais frio (veja ao lado).

Umidade e frio. A estiagem que castigou regiões agrícolas de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná também deve dar lugar a um período de precipitações mais regulares, sobretudo a partir de julho. No próximo mês, meteorologistas alertam que a umidade relativa do ar já deve atingir baixos valores em Mato Grosso, Goiás e no Piauí - e há risco de queimadas. Na Região Sul, em São Paulo e em Mato Grosso do Sul, a chuva diminui com relação a junho.

Em agosto, a maioria das frentes frias atua apenas no Sul do Brasil. Só dois sistemas devem chegam ao Sudeste, nos primeiros e nos últimos dias do mês. Em setembro, a expectativa é de que o paulistano também tenha de tirar os edredons do guarda-roupa menos vezes.

Cidades do sul disputam para ser 'a mais fria do Brasil'

Atentos ao fascínio que o inverno no Sul desperta em turistas de todas as regiões do Brasil, os municípios das regiões altas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, todos vizinhos, transformaram o frio em marketing. É consenso que o lado catarinense registra temperaturas mais baixas. Mas o lado gaúcho tem maior estrutura de acolhimento nas cidades turísticas de Gramado e Canela.

Há algumas semanas, o portal na internet da prefeitura de Urupema passou a apresentar o município como a "cidade mais fria do País", tomando um título que há décadas era atribuído a São Joaquim. Embora possa ter provocado discussões entre moradores dos dois municípios, a iniciativa não criou rixa. "Não estamos muito preocupados com isso, nem vamos entrar em disputas", afirma o diretor de Turismo de São Joaquim, Sandrigo Vieira. "O que queremos é divulgar uma rota turística passando por diversos municípios."

Em Urupema, o secretário de Administração, Finanças, Planejamento e Desenvolvimento Econômico, Alessandro Muniz Pereira, explica que o novo título decorre da instalação, em 2011, de uma estação meteorológica na cidade, que passou a apresentar as temperaturas mais baixas do País. "Tivemos uma semana inteira com a temperatura mínima diária ficando entre 6 e 8 graus negativos."

Já no Rio Grande do Sul, o destaque é para Gramado e Canela, cidades voltadas ao turismo receptivo. Mas os municípios de Bom Jesus, Cambará do Sul e São José dos Ausentes, sem a mesma estrutura hoteleira, costumam registrar temperaturas mais baixas por estarem em altitude maior. "Há períodos em que as mínimas são aqui", afirma o coordenador de Turismo de Bom Jesus, Adiovaldo Gonçalves. / E.O.

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