Invasores de hotel prometem resistir e manter protesto

Movimento Luta por Moradia Digna encontrou representantes da Prefeitura para debater ocupação do Othon

Diego Zanchetta e Laura Maia de Castro, O Estado de S. Paulo

03 de junho de 2014 | 20h33

SÃO PAULO - Lideranças do movimento Luta por Moradia Digna (LMD) encontraram nesta terça-feira, 3, representantes da Secretaria Municipal da Habitação (Sehab) para discutir a ocupação do prédio do antigo Othon Palace Hotel, na frente da Prefeitura de São Paulo. O local foi ocupado nesta segunda, 2, por 700 sem-teto. De acordo com os manifestantes, a Sehab informou que a Prefeitura não vai transformar o edifício em projeto de moradia popular.

O órgão municipal alertou que as famílias correm risco na área, porque o edifício passou recentemente por dedetização e recebeu raticida. A Prefeitura pretende transferir para o local desapropriado na gestão Gilberto Kassab (PSD) a Secretaria Municipal de Finanças e Desenvolvimento Econômico. 

“As famílias vão resistir. Nós não aceitamos esse posicionamento. Temos de dar o uso social que o prédio deve ter. Há dois anos o edifício foi desapropriado e até agora nada foi feito. Dizem que está em reforma, mas não está coisa nenhuma”, disse o líder Ricardo Luciano.

A Prefeitura informou que nenhuma das famílias que participam da ocupação do Othon, na Rua Líberdo Badaró, na região central, tem cadastro na Sehab. A gestão Fernando Haddad (PT) afirmou também que o cadastramento de interesse por moradia social pode ser feito de forma voluntária e espontânea.

Mais protesto. O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) espera reunir mais de 20 mil pessoas em um protesto marcado para às 17h desta quarta-feira, 4, na frente da Estação Vila Matilde do Metrô, na zona leste. Este é o quarto ato da campanha Copa Sem Povo, Tô na Rua de Novo e terá apoio do Movimento Passe Livre (MPL) e do coletivo Se não Tiver Direitos, Não vai ter Copa. 

Um dos possíveis destinos é a Arena Corinthians. “Fazer um ato na zona leste a uma semana da Copa é algo simbólico”, disse Guilherme Boulous, coordenador do MTST.

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