Invasão é problema pontual e saída deve ser negociada, diz PM

Polícia Militar acredita que impasse será resolvido pela direção da USP e afirma ter o apoio da maioria dos alunos

Bruno Paes Manso, O Estado de S. Paulo

03 Novembro 2011 | 03h04

A Polícia Militar sabe que um confronto para a retirada dos poucos estudantes que insistem em ocupar a Reitoria da Universidade de São Paulo seria visto por esses alunos como uma vitória. E por isso aposta na negociação das autoridades universitárias para a reversão do impasse.

A afirmação é do comandante-geral da PM, coronel Álvaro Batista Camilo. "Se formos chamados, vamos agir. Mas a orientação é negociar, porque se trata de um problema pontual. A maioria dos alunos não concorda com a ocupação e defende a presença da PM na universidade", disse.

Em setembro, quatro meses depois do assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva, USP, Polícia Militar e Secretaria da Segurança Pública (SSP) firmaram um convênio para aumentar o policiamento na Cidade Universitária, câmpus no Butantã, zona oeste.

O convênio vai durar cinco anos, com possibilidade de renovação. Durante esse período, a PM ajudará a Guarda Universitária no patrulhamento do câmpus, com um efetivo fixo de 15 a 20 policiais.

Na quinta-feira passada, três estudantes da Geografia foram flagrados com maconha. Na hora em que eles eram levados para a delegacia, alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) se revoltaram e entraram em confronto com policiais. Depois, invadiram um prédio da administração e prometeram só sair depois do fim do convênio. Na noite de anteontem, assembleia decidiu pelo fim da ocupação, mas um grupo de estudantes não concordou e invadiu a Reitoria.

Números. Levantamento feito pela PM comparando dados de criminalidade de 80 dias antes do assassinato do estudante, em maio, com os 80 dias subsequentes apontaram quedas em diferentes tipos de crime na Cidade Universitária.

Segundo esses números, os furtos de veículos caíram 90% (apenas dois casos foram registrados, contra os 20 anteriores). Já roubos em geral passaram de 18 para 6 - redução de 66,7% - e roubos de veículos caíram 92,3%, passando de 13 para 1.

Outros dois crimes que tiveram redução foram lesão corporal, que caiu de nove para dois casos (queda de 77,8%), e sequestro relâmpago, de 8 para 1 (redução de 87,5%). Os dados estão em boletins de ocorrência registrados nas delegacias do entorno da USP.

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