Invasão de São Roque fez surgir os 'pet blocs'

O resgate (para uns) ou furto (para outros) dos beagles do Instituto Royal, em São Roque, interior de São Paulo, não foi promovido apenas por radicais em defesa da causa animal, gente disposta a quebrar tudo e a ser presa. Boa parte dos manifestantes era composta por ativistas que rejeitam a violência e repudiam o radicalismo, mas que, apesar de pacifistas, agora são os "pet blocs".

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2013 | 02h04

Nas redes sociais, perfis trazem fotos de cães com máscaras, em alusão aos black blocs. Eles, porém, são fofos e seus donos combatem os maus-tratos. "Na minha prateleira há cosméticos testados em animais. Mas isso não quer dizer que eu concorde com abusos contra os animais", diz a empresária Mariana Aidar, de 36 anos, que participou da invasão.

Mariana conta que foi parar dentro do centro de pesquisas sem querer. "O pessoal estava ouvindo urros e berros dos cães, um som assustador, que não esqueço. Tinha uma pessoa, de dentro do instituto, que estava dando informações para a gente lá fora. De repente, alguém invadiu. Fomos atrás."

Nenhum beagle ficou com Mariana, que critica a depredação. "Mas, se não fosse as pessoas invadirem e quebrarem, os cães ainda estariam lá."

Os pet blocs tentam justificar o ato. "As pessoas não entendem. Se fosse há 200 anos, a diferença seria que nossos protegidos falariam, seriam os escravos. Nossa luta é como a da abolição da escravatura", diz Luiz Scalea, que atua numa ONG de proteção animal. Para ele, toda vida deve ser respeitada, humana ou não."Tivemos de entrar. Não havia outra opção. Entramos porque havia crueldade contra os animais. Não foi uma invasão", diz Scalea.

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