Invasão de javalis no Brasil tem origem na importação dos anos 90

Sem predadores naturais – só onças são capazes de matar um javali quando não está em bando, mas elas estão em extinção – e com uma taxa reprodutiva elevada, multiplicação foi rápida

Giovana Girardi e Gabriela Biló, enviadas especiais a Barretos (SP), O Estado de S.Paulo

24 Dezembro 2016 | 03h00

Há duas explicações para o início da invasão no Brasil. Em 1989, porcos selvagens entraram no Brasil, vindos do Uruguai, por Jaraguão (RS). Depois, nos anos 1990, javalis foram importados da Europa e do Canadá por produtores de suínos, que viram na carne nobre, altamente proteica e com baixo teor de gordura, um excelente negócio. Logo, porém, descobriram que não era bem assim. 

“Quem importou foi o suinocultor tradicional, que estava acostumado a ter um porco doméstico com seis meses de idade atingir 100 quilos. O javali atinge 60 kg em média. A taxa de aproveitamento do porco também é muito maior. Depois de limpo, vai dar uns 70 kg de carne. Já o javali rende só uns 50%. O peso é menor e tem menos aproveitamento de carcaça. A conta não fechou para o suinocultor, especialmente os pequenos. Além disso, a carne de javali é mais cara, não é todo mundo que pode pagar”, descreve o ecólogo Felipe Pedrosa, doutorando da Unesp de Rio Claro, sobre o início do problema.

“Aí o produtor tentou salvar o negócio e cruzou o javali com porcas. O cara que fez o javaporco, esse sim chegando fácil a 120 kg, vendeu como se fosse javali num preço mais baixo e prejudicou quem tinha só javali. O bicho era bem maior, mas continuava sendo muito agressivo. Alguns fugiram, outros simplesmente foram soltos pelos criadores nos mais diferentes lugares.”

Sem predadores naturais – só onças são capazes de matar um javali quando não está em bando, mas elas estão em extinção – e com uma taxa reprodutiva elevada (cada fêmea pode gerar cerca de 11 filhotes em duas ninhadas por ano), a multiplicação foi rápida.

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