Invasão constante de rota assusta instrutores e alunos

Praticantes do esporte relatam preocupação com tráfego inadvertido de helicópteros na área de saltos no interior de SP

O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2012 | 03h08

Quem salta de paraquedas em Boituva já notou, nos últimos anos, um grande aumento do tráfego de helicópteros pelo interior de São Paulo. Praticante do esporte desde 1998, Marco Antonio Domingos, de 45 anos, se assusta com a mera ideia de um choque bruto entre um helicóptero e um paraquedista. "Fica até difícil imaginar o que uma aeronave sem coordenação passando abaixo dos paraquedistas em queda livre ou por entre os paraquedas abertos pode causar."

"Nos fins de semana, chega a ser lançada uma média de 130 paraquedistas por hora, os lançamentos acontecem de cinco em cinco minutos. Infelizmente, o risco existe e temos conhecimento de que alguns operadores e pilotos foram denunciados e punidos pela não observância das restrições", diz Domingos.

O paraquedista profissional e instrutor Tarsis Tietbohl, o Gaúcho, de 37 anos, conta que já tomou alguns sustos. "Uma vez eu estava no avião quando um helicóptero cruzou a área de salto sem avisar. Também ouvi relatos parecidos de outros colegas", afirma.

"A maioria é de helicópteros de pessoas que moram no interior e vêm do Campo de Marte, em São Paulo", diz Gaúcho.

Para o instrutor, que também gerencia uma escola em Boituva, a Skyradical, não só o volume de aviões no ar é maior, mas o de paraquedistas também. "Boituva superinchou", diz Gaúcho. "Já chegamos a operar com seis aviões de lançamento de paraquedistas", relata.

Coordenador. Eram tantos elementos para coordenar - aviões de lançamento, helicópteros e paraquedistas - que parte das escolas se juntou para contratar uma controlador de voo próprio. "A gente banca a remuneração dessa pessoa, que tem a função de coordenar cada lançamento de paraquedista e cada avião que sobe. Chamamos no rádio e avisamos que estamos prontos", conta Gaúcho.

Outro paraquedista que pediu anonimato conta um caso ocorrido há uma semana: "Um bimotor passou a 6 mil pés, pouco acima dos paraquedas abertos e apenas dois minutos antes de outro lançamento. O piloto foi chamado via rádio, mas fugiu". / N.C.

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