Invasão atravessa pista e já concorre com condomínios

Habitações precárias não se limitam a encostas da Serra do Mar e aparecem do outro lado da pista no sentido litoral

REGINALDO PUPO , ESPECIAL PARA O ESTADO , SÃO SEBASTIÃO, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2012 | 03h02

Às margens da Rodovia Rio-Santos, em São Sebastião, já é possível ver conglomerados de barracos que há alguns anos estavam exclusivamente nas encostas da Serra do Mar. Hoje, algumas das habitações precárias invadiram o outro lado da pista, sentido praia, e disputam espaço com condomínios de luxo. Com elas, emaranhados de fios surgem de postes de madeira improvisados para abastecer os núcleos habitacionais da Vila Esquimó e da Vila Progresso, em Juqueí.

Situação semelhante é encontrada na Vila Baiana, em Barra do Sahy, uma das mais antigas áreas de invasão da cidade. Apesar de a prefeitura considerar os núcleos "congelados", é possível observar novas construções sendo erguidas na região.

Em São Sebastião, o projeto estadual para a remoção dessas famílias é encarado com descrédito. Mas os moradores são unânimes na decisão de resistir à remoção, uma vez que, de acordo com o projeto, eles tendem a ser remanejados para o bairro da Enseada, no limite com Caraguatatuba, a 50 quilômetros. "A prefeitura alega que não podemos permanecer porque é área de risco e de preservação, mas logo ali (aponta para Juqueí), estão construindo um condomínio de ricos e os tratores não param de derrubar árvores", alega a doméstica Marinalva Bispo, de 48 anos.

Para a camareira Zelita da Silva, de 22 anos, a distância do trabalho inviabilizaria o sustento da família. Ela saiu de Tinguá (CE) há três anos. Junto com o marido, pagou R$ 9 mil por um barraco a três passos de um córrego que recebe o esgoto produzido pela comunidade. Para chegar em casa, precisa percorrer uma ponte improvisada, às vezes carregando o filho de 1 ano e 7 meses. "Se tivermos de sair, preferimos voltar para o Ceará."

Unidades insuficientes. O secretário de Habitação de São Sebastião, Roberto Alves dos Santos, informou que estão sendo construídas 50 casas populares no bairro Enseada para absorver os moradores da Vila Esquimó. Mas reconhece que a quantidade é insuficiente, pois as invasões crescem ano a ano.

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