'Intervalo de 1 hora entre exames é mais que suficiente'

Para integrante de Academia Brasileira de Neurologia, mudança não altera diagnóstico, desde que médico seja treinado

Entrevista com

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2013 | 02h02

Entrevista com Gabriel Rodriguez de Freitas, neurologista  

 

Reduzir o intervalo para a realização dos exames clínicos pode ser prejudicial ao paciente?

Não. Se o primeiro exame for bem feito, o intervalo de uma hora para o segundo é mais do que suficiente. Encurtar esse período de espera entre os procedimentos ou mesmo descartar a necessidade do segundo exame é uma tendência mundial. O resultado disso é a redução do risco de o paciente sofrer uma parada cardíaca, o que impossibilita a doação de órgãos.

E deixar de exigir a presença de um médico neurologista para atestar a morte cerebral? É seguro?

A mudança não altera o diagnóstico, desde que o médico que assumir essa função esteja bem treinado. No nosso País, há um número pequeno de neurologistas (sã0 3.212, segundo pesquisa demográfica do CFM) e a maior parte desses médicos está concentrada nas Regiões Sul e Sudeste.

A legislação brasileira está atrasada em relação aos critérios para definição de morte encefálica?

Vamos dizer que somos conservadores nessa área. Países como os Estados Unidos e a Espanha nem exigem a realização do segundo exame clínico. O primeiro procedimento já é considerado válido. Só ocorre um outro teste se há alguma dúvida.

A morte encefálica é irreversível?   Sim, o diagnóstico é definitivo, apesar de muita gente desconfiar dele quando o coração do paciente ainda está batendo.

Por que isso ocorre com tanta frequência?

É uma questão cultural e mesmo religiosa, que pode causar polêmica durante essa mudança na legislação.

Como integrante da Academia Brasileira de Neurologia, o senhor acredita que as medidas serão aprovadas? Há consenso sobre o assunto entre os representantes da classe?

Eu sou favorável às mudanças e acho que elas serão aprovadas, mas a academia ainda não se posicionou oficialmente.

Um protocolo internacional também ajudaria?

Sim. Hoje, cada país adota suas normas próprias. Seria interessante termos um único padrão.

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