Interpol fará segurança de Copa e Olimpíada

Por exigência da Fifa, agência internacional de polícia vai ajudar governo brasileiro a garantir proteção para os eventos

Jamil Chade / CORRESPONDENTE, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2010 | 00h00

GENEBRA

Por mais que a Fifa e o Comitê Olímpico Internacional (COI) insistam publicamente que confiam na capacidade do Brasil de garantir a segurança da Copa 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, a Interpol já foi chamada para montar o plano de segurança para os eventos. Nos últimos dias, diante da nova onda de violência no Rio, a imprensa internacional voltou a questionar a capacidade da cidade em recebê-los.

Ontem, a Fifa admitiu que a polícia brasileira terá uma ajuda internacional. A entidade informou que a Interpol já está trabalhando em um "conceito de segurança" para a Copa e está auxiliando a polícia brasileira na elaboração do plano.

Se o mesmo sistema adotado na África do Sul se repetir no Brasil, a Interpol terá agentes em todos os estádios da Copa, nos hotéis das delegações e de torcedores, assim como em todos os aeroportos, pontos de fronteira e locais considerados estratégicos. Um sistema de comunicação ligado à base da Interpol em Lyon, na França, será estabelecido para permitir que a polícia nacional tenha acesso a dados de 22 milhões de suspeitos e de 12 milhões de passaportes, além de 600 mil carros roubados.

O Estado apurou que a Interpol foi uma exigência da Fifa, que quer garantias de que a segurança das seleções, dos integrantes da entidade e dos torcedores esteja garantida. Tanto a Fifa quanto o COI insistem que a responsabilidade pela segurança dos eventos será do governo.

Apoios. Na sede do COI em Lausanne (Suíça), o tom foi de apoio às autoridades brasileiras. "No passado, o Rio e o Brasil mostraram que são capazes de receber grandes eventos com segurança e temos plena confiança na capacidade das autoridades brasileiras de entregarem jogos seguros em um prazo de seis anos", declarou o COI em nota distribuída à imprensa.

Mas em pelo menos duas ocasiões nos últimos seis meses o presidente do órgão, Jacques Rogge, insistiu que a segurança no Rio seria "o maior desafio" na preparação dos Jogos. "Trata-se do desafio número 1", disse, há apenas três semanas.

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014, Ricardo Teixeira, publicou ontem comunicado no site oficial da Fifa tranquilizando a comunidade esportiva mundial e demonstrando confiança nas autoridades brasileiras na luta contra o crime organizado.

O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016 e o Comitê Olímpico Brasileiro divulgaram nota assinada pelo presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, manifestando apoio à política de segurança do governo do Rio. / COLABOROU TALITA FIGUEIREDO

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