DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Interligação de Billings com Alto Tietê deve ser entregue em maio, diz Alckmin

Após reunião com presidente Dilma, governador paulista afirma que não há decisão sobre rodízio e que a terceira reserva técnica do Cantareira só será utilizada em caso de 'extrema necessidade'

Rafael Moraes Moura e Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

30 Janeiro 2015 | 20h36

Após a terceira reunião em três meses para discutir no Palácio do Planalto a maior crise hídrica da história de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse nesta sexta-feira, 30, esperar concluir em maio a obra de interligação da Represa Billings com o Sistema Alto Tietê, o que permitirá o tratamento e distribuição de mais 5 metros cúbicos de água por segundo. De acordo com Alckmin, ainda não há decisão sobre a adoção de um rodízio de água e a terceira reserva técnica do Cantareira só será utilizada em uma situação de "extrema necessidade".

"A Billings é a grande caixa d'água da cidade. Hoje a Billings está 61% cheia, e subiu, está aumentando, todo dia ela está subindo, é um reservatório importantíssimo, já utilizado para abastecimento humano desde a década de 1950", comentou o governador, depois de duas horas de reunião com a presidente Dilma Rousseff para tratar da situação hídrica de São Paulo.

Um dos principais problemas apontados no uso de Billings é a qualidade da água, mas a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) alega que não há dificuldade de tecnologia em transformá-la em água perfeitamente potável. A dificuldade maior seria levar a água onde é necessário o mais rápido possível.

"O que pretendermos fazer é aumentar esta oferta para o Guarapiranga e para o Alto Tietê, essas são as duas obras emergenciais que a Sabesp está trabalhando. Temos um excelente sistema de tratamento de água. A Billings é, sim, opção rápida e importante de abastecimento", disse Alckmin.

Para Alckmin, a interligação do Rio Grande, afluente da Billings, com a represa Taiaçupeba, do sistema do Alto Tietê, é a obra mais imediata de todas no cenário atual de crise hídrica. "Esperamos estar concluída (essa obra) agora em maio e quero aqui agradecer a Petrobrás", disse.

De acordo com o governador, a estatal tem ajudado o governo estadual a utilizar a área de um gasoduto para passar com a nova tubulação. De acordo com a ministra do Meio Ambiente, não há "nenhum conflito com o setor elétrico" envolvendo o uso de Billings. "Todas as medidas estão equacionadas sem conflito dentro da gestão da crise", garantiu Izabella.

O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que também participou da audiência, ressaltou que cabe aos Estados a gestão e operação do abastecimento de água. "Mas podemos construir parcerias republicanas, que aumentem a oferta de água, não só com projetos estruturantes, mas medidas emergenciais", disse.

Rodízio. Conforme o Estado informou nesta sexta, entre as saídas estudadas pela Sabesp para evitar o colapso completo do Sistema Cantareira, a mais provável é a adoção de um rodízio de 4 por 2 (quatro dias sem água e dois com). A dimensão do rodízio surpreendeu até técnicos do governo federal ouvidos pela reportagem. "Não há nenhuma decisão tomada sobre rodízio de água, este é um assunto que a Sabesp está avaliando tecnicamente, monitorando permanente", disse Alckmin. "Nós optamos pela válvula redutora de pressão, porque com ela você não zera o sistema e, não zerando o sistema, diminui o risco de contaminação, porque você mantém o sistema sob pressão."

Alckmin destacou que o governo está distribuindo gratuitamente caixa d'água para famílias de baixa renda e disse que não há definição sobre o uso da terceira reserva técnica do Cantareira. "Não há decisão, mas não pretendemos utilizá-la, a não ser que haja uma extrema necessidade", disse o governador.

Na última quarta-feira, Dilma recebeu no Planalto os governadores de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), e do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), para tratar da situação do abastecimento de água nesses Estados. Minas já cogita dentro de três meses adotar o racionamento, caso a situação não melhore.

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