Interlagos é aberto em grande estilo

De 'aventura', a 30 km do centro, autódromo se transforma em berço de grandes pilotos

Rose Saconi, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2010 | 00h00

O engenheiro Luís Romero Sanson foi considerado louco quando resolveu, em plena Segunda Guerra Mundial, construir um autódromo a 30 quilômetros do centro da cidade, numa área de 1 milhão de metros quadrados.

Chegar a Interlagos era uma viagem, quase uma aventura, que incluía atravessar ponte de madeira sobre o Rio Pinheiros e pagar pedágio de 400 réis. Não pareceria um empreendimento de futuro. Mesmo assim, Sanson, que era dono da Companhia Auto Estradas, começou as obras em 1936 movimentando 500 mil metros cúbicos de terra, 7.200 metros cúbicos de pedra britada, para lastro das pistas, e 475 toneladas de asfalto.

Em 1939, houve uma tentativa de inauguração da pista de 8 km, mas um temporal adiou a festa. Finalmente, no dia 12 de maio de 1940, a imprensa paulista estampava anúncios da "grande corrida inaugural do autódromo de Interlagos, onde seriam distribuídos prêmios de 132 mil réis nas provas de automóvel e motocycletas, numa cortesia do Instituto do Assucar e do Álcool". Quem usasse álcool na mistura de combustível também seria premiado.

Grand Prix. Participaram 30 pilotos, brasileiros e estrangeiros. A categoria se chamava Grand Prix. Chico Landi chegou em segundo lugar, com um Maserati, atrás de Artur Nascimento Júnior, vencedor com um Alfa Romeo. Foram 25 voltas, à velocidade média de 115 km/h. O vencedor levou o prêmio de 60 mil réis.

Além de ilustração com o traçado da pista, a lista de pilotos e o programa completo das provas, o Estado publicou reportagem de serviço ao leitor explicando como chegar a Interlagos. Os aficionados tinham quatro opções de transporte: "Automóvel, auto-omnibus, táxi-lotação e bonde". Os camarotes para seis pessoas eram os mais concorridos para a corrida. O ingresso custava 400 réis.

No dia seguinte, o jornal noticiou o resultado das provas com um balanço positivo da corrida inaugural. "Teve êxito brilhante e completo a tarde de motorismo de domingo no autódromo de Interlagos. Aprovado o valor técnico da pista. As altas velocidades atingidas e o fato de não haver uma só ruptura de pneus são bem convincentes. Os serviços de trânsito, estacionamento e policiamento estiveram ótimos. Ordem no público. Disciplina e entusiasmo dos corredores", dizia o texto.

O autódromo passou ao controle da Prefeitura em 1954, comprado por 32 milhões de cruzeiros. Luís Sanson morreu em 1967, pobre e esquecido.

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