Interior tem boom de shoppings de luxo

Dos 12 centros de compra de alto padrão abertos neste ano, 9 ficam fora da capital

RICARDO BRANDT / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2012 | 02h04

O interior de São Paulo assiste a um boom de shoppings de luxo. Dos 12 centros de compra inaugurados no Estado neste ano - a maior parte voltada ao público das classes A e B -, nove estão fora da capital, em cidades como Jundiaí, Limeira, Sorocaba, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. E, para 2013, a tendência continua de alta - nove dos 14 shoppings previstos ficam fora da região metropolitana.

Com 1,1 milhão de habitantes, Campinas é um exemplo de mercado premium em expansão. Atento ao cliente de alta renda, o Shopping Iguatemi da cidade vai inaugurar em março teatro para grandes espetáculos e musicais.

"Falta um espaço para peças com padrão São Paulo em Campinas. A região toda tem a cidade como referência e não acredito que falte público para grandes espetáculos", diz a arquiteta Fernanda Junqueira, de 28 anos.

Para atender clientes como Fernanda, o Iguatemi está em expansão. Aberto em 1980, vai ganhar em 2014 um prédio com três andares de lojas e dois de estacionamento no subsolo.

Para a executiva Paula Fonseca, de 34 anos, frequentadora assídua do Iguatemi, há demanda nas grandes cidades do interior para consumo de produtos que ainda são exclusivos das capitais. "Não vou deixar de ir para São Paulo fazer compras, mas, se tiver marcas que gosto perto de casa, vou preferir", diz.

O Galleria Shopping, em Campinas, também vai crescer. Com um investimento de R$ 30 milhões, o centro de compras ganhou um prédio com lojas como Le Lis Blanc Deux com Noir, Camila Klein, Schutz, Bo.Bô, Anna Pegova e Livraria da Vila.

Em setembro, a Multiplan (rede do MorumbiShopping) inaugurou o Jundiaí Shopping, com 212 lojas. A cidade recebeu marcas inéditas como Sephora, Le Lis Blanc, Dudalina, Le Pain Quotidien. "Jundiaí cresce por causa dos empregos novos e localização estratégica, que atrai executivos e empresários de São Paulo que escolhem morar aqui por causa da qualidade de vida", diz Guillermo Bloj, superintendente do Jundiaí Shopping.

A expansão da oferta dos serviços de luxo pelo interior representa uma mudança de comportamento e consumo da população de fora da capital. "As marcas premium estão em busca desse mercado. Quatro anos atrás, muitas delas estavam restritas a São Paulo e Rio", afirma o analista Guilherme Kosmann, da MCF Consultoria.

A empresa de Kosmann faz anualmente levantamento sobre o mercado de luxo no Brasil, cujo setor movimentou no ano passado R$ 18,5 bilhões. As marcas querem parte desse faturamento. Para o empresário Rodrigo Argenton, de 42 anos, a economia aquecida do interior justifica as inaugurações.

"Campinas e cidades como Ribeirão Preto têm margem para um mercado de alta classe. Não só de moda e cosméticos, mas também de lazer e entretenimento", afirma.

Califórnia brasileira. Com 619 mil habitantes, Ribeirão Preto foi a cidade escolhida para a primeira loja da Daslu fora de uma capital - e a quarta da rede. "Ribeirão sempre foi a cidade do interior do Estado que mais consumiu Daslu. Nada mais natural do que abrir uma loja e estar ao alcance dessas clientes", diz Patrícia Cavalcanti, diretora de marketing da marca.

Neste ano, a loja da Porsche de Ribeirão vendeu 58 dos 334 carros da marca alemã comercializados no Brasil - perdeu apenas para a capital. "O interior é uma força econômica e tem melhores condições de vida, o que cada vez atrai mais gente. Há mercado para a venda de carros de mais de R$ 1 milhão, mas ainda há um diferencial em relação à capital quanto ao comportamento de luxo", diz Silvio Passarelli, coordenador do MBA em Gestão de Luxo da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). Para ele, nas capitais há "um fator mais cosmopolita".

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