Interior também tem desabastecimento e filas de caminhões

Postos da região de Sorocaba ficaram sem combustível. Em Paulínia, terminal teve sobrecarga em carregamento

ARTUR RODRIGUES , JOSÉ MARIA TOMAZELA , O Estado de S.Paulo

08 Março 2012 | 03h04

O desabastecimento já se espalha por postos da Grande São Paulo. Em vários locais de Sorocaba, Itu e Vargem Grande Paulista faltaram etanol, gasolina e óleo diesel ontem. Até quem tem caminhões para procurar combustível enfrenta problemas. A grande demanda fez a área de distribuição de Paulínia, por exemplo, apresentar filas de até 13 horas.

O dono de posto de gasolina Alexandre Saito, de 50 anos, enfrentou 13 horas e dois quilômetros de fila para abastecer seu caminhão em Paulínia. "Normalmente, abasteço em Barueri, mas por causa desses problemas vim para cá e acabei tendo de pagar mais caro pela gasolina", disse o comerciante, que trabalha em Ibiúna. Segundo ele, por causa dos piquetes realizados em Paulínia, ele chamou dois amigos policiais para fazer a escolta do carregamento.

Em Sorocaba, a falta de combustível se agravou durante o dia e, no início da tarde, a maioria dos 120 postos tinha bombas paradas. A cidade é abastecida principalmente pelo entreposto de Paulínia. Mesmo assim, as encomendas desses locais não chegavam. Nos estabelecimentos que ainda tinham combustíveis havia longas filas para abastecer. Até o posto de uma rede de hipermercado suspendeu o abastecimento por falta de combustível. Na vizinha Votorantim, três dos cinco postos tinham ficado sem etanol ou gasolina.

De acordo com o diretor institucional do Sindtanque, Sandro Gonçalves, só a saída de combustível para hospitais, aeroportos e órgãos de segurança, como a Polícia Militar, ocorreu normalmente em Paulínia. A polícia acompanhou a movimentação, mas não interveio. De acordo com o sindicalista, depois do meio-dia os carregamentos voltaram ao normal.

Até o fim da tarde, porém, postos de Sorocaba continuavam sem combustível. De acordo com o dirigente regional do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), Jorge Marques, o problema em Paulínia afetou toda a região. "As entregas já não estavam acontecendo com regularidade e, com as dificuldades na Replan, os carregamentos serão reprogramados."

A sobrecarga no terminal, em razão da transferência dos carregamentos, também afetava as entregas de combustível. Ele estimava que, no interior, a normalização do abastecimento deve ocorrer somente hoje. "Mas vai haver atraso, pois o carregamento que deveria chegar em quatro horas, vai levar seis ou sete."

Fim só na TV. Em Vargem Grande Paulista, o empresário Miguel Pedroso continuava esperando a chegada de três caminhões de combustível, às 18 horas de ontem. Dois dos seus três postos estavam totalmente sem combustível. "Era para ter vindo na segunda-feira, da base de Barueri, mas até agora, nada. A greve acabou só na televisão, porque na prática o boicote continua."

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